Internacional Nove corpos mutilados encontrados no Quénia

Nove corpos mutilados encontrados no Quénia

A recente descoberta de nove corpos mutilados no Quénia está a intensificar a tensão no país, que já enfrenta um aumento significativo de casos de desaparecimentos e raptos. 

Estes eventos ocorrem num contexto de protestos contra o governo do Presidente William Ruto, conforme relatado por uma coligação de grupos da sociedade civil e de defesa dos direitos humanos.

No sábado, dia 13, a polícia queniana realizou buscas numa pedreira abandonada, agora usada como lixeira, numa favela em Nairobi. A operação foi desencadeada após a descoberta de corpos mutilados embrulhados em sacos de plástico, o que atraiu uma multidão furiosa para o local.

A Autoridade Independente de Supervisão da Polícia (IPOA) informou posteriormente que foram recuperados os restos mortais de pelo menos nove pessoas, incluindo sete mulheres. Os corpos estavam envoltos em sacos e amarrados com cordas de nylon, apresentando sinais evidentes de tortura e mutilação. A lixeira onde foram encontrados fica a menos de 100 metros de uma esquadra da polícia, o que levanta questões preocupantes sobre a possível cumplicidade policial.

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A polícia queniana está a investigar um possível envolvimento das forças de segurança na descoberta macabra na área de Mukuru, situada no sul da capital. Simultaneamente, a IPOA está a averiguar alegações de raptos de manifestantes desaparecidos durante os protestos mortais contra o governo de Ruto.

Manifestações contra o aumento de impostos em Nairobi, ocorridas em 25 de Junho de 2024, já haviam causado mortes e aumentado a preocupação entre os governos ocidentais. Algumas pessoas nas redes sociais sugeriram que as vítimas poderiam ter sido alvo de feminicídio.

Ernest Cornel Oduor, da Comissão dos Direitos Humanos do Quénia, afirmou à VOA Português que a descoberta de corpos mutilados em Nairobi exacerbou ainda mais a ira popular, levando a protestos localizados em várias zonas da cidade. Os residentes exigem respostas do Estado sobre a identidade dos responsáveis por estas mortes.

A Comissão dos Direitos Humanos do Quénia apelou ao governo para permitir e inicie rapidamente investigações exaustivas sobre estes homicídios, como destacado num comunicado emitido pela organização.

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