A sugestão do ANC de formar um Governo de unidade nacional para liderar a África do Sul nos próximos cinco anos foi recebida com frieza pelos potenciais parceiros e até rejeitada por um dos partidos mais votados.
Julius Malema, líder dos Combatentes da Liberdade Económica (EFF), expressou desinteresse nas redes sociais, afirmando que o quarto partido mais votado nas eleições de 29 de Maio não pode “partilhar o poder com o inimigo”. Esta rejeição inicial parece indicar uma resistência aos esforços do Congresso Nacional Africano (ANC) para encontrar uma solução após o revés eleitoral.
O ANC obteve apenas 40% dos votos, o seu pior resultado em 30 anos de eleições legislativas, uma queda de 17% em relação aos cinco anos anteriores. Pela primeira vez na sua história, o ANC precisa do apoio de outros grupos para governar, ficando com apenas 159 dos 400 lugares na próxima Assembleia Nacional.
Após intensas discussões com vários partidos, incluindo o EFF, o partido nacionalista zulu Inkhata (IFP), a Aliança Democrática (DA) e a Aliança Patriótica (PA), o Presidente Cyril Ramaphosa expressou a intenção de formar uma ampla frente de oposição, da extrema-direita à extrema-esquerda.
No entanto, esta meta apresenta desafios, já que a maioria dos partidos da oposição não só discorda do ANC em várias políticas, mas também entre si. Por exemplo, o EFF, com 39 assentos parlamentares, e a DA, com 87, têm visões opostas em questões-chave como a redistribuição de terras e a nacionalização de sectores económicos.
O IFP, com 17 lugares, manifestou uma abertura inicial à ideia de uma coligação, mas ressaltou que os detalhes seriam determinantes.
O DA ainda não se pronunciou oficialmente, planeando discutir a sua abordagem às negociações numa reunião agendada para segunda-feira.
As negociações incluem também o Partido uMkhonto weSizwe (MK), liderado pelo ex-Presidente Jacob Zuma, que abandonou o ANC. Este partido confirmou que iniciou conversações com o ANC, após um período inicial de hesitação.
Embora a África do Sul já tenha tido um Governo de unidade nacional durante o mandato de Nelson Mandela em 1994, as circunstâncias actuais são distintas. Mandela optou por essa solução apesar da maioria esmagadora do ANC, enquanto o actual contexto surge devido ao pior desempenho eleitoral do ANC na história, com uma queda significativa de votos.
O prazo para a formação do novo parlamento termina a 16 de Junho, 14 dias após a divulgação dos resultados eleitorais pelo Presidente. Uma das primeiras tarefas do novo parlamento será a eleição do Presidente, que posteriormente formará o novo Governo.
Os mercados estão atentos às negociações, aguardando para conhecer a composição do próximo governo da maior economia de África e as políticas económicas que serão implementadas.

















