Milhares de pessoas reuniram-se em frente ao parlamento israelita (Knesset), exigindo eleições antecipadas e um acordo de cessar-fogo com o movimento islamita palestiniano Hamas para a libertação dos reféns na Faixa de Gaza.
Os manifestantes, que segundo os organizadores somavam 100.000, criticaram duramente o actual governo liderado por Benjamin Netanyahu. “Apesar de este governo possuir maioria no parlamento, já não representa o que pretende a maioria da sociedade. Este governo está a provocar muito prejuízo ao nosso país”, afirmaram alguns manifestantes à agência noticiosa Efe. Outros expressaram preocupação pelo crescente isolamento internacional de Israel devido às decisões governamentais.
O protesto faz parte de uma semana de acções convocadas por vários grupos civis que criticam a gestão de Netanyahu e visam mobilizar um milhão de israelitas para exigir novas eleições.
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Netanyahu anunciou a dissolução do gabinete de guerra, criado em 11 de Outubro para coordenar as operações militares na Faixa de Gaza, após a demissão do ex-ministro Benny Gantz. Durante a manhã, autoestradas em Israel, incluindo a autoestrada n.º 1 de acesso a Telavive e a autoestrada n.º 2 perto de Herzliya, foram bloqueadas por manifestantes em protesto contra o governo.
Os manifestantes clamavam “basta” e lembravam os nomes dos reféns mantidos pelo Hamas em Gaza há mais de oito meses. O conflito actual começou com um ataque do Hamas em 7 de Outubro de 2023, que resultou em cerca de 1.200 mortos e centenas de reféns, segundo autoridades israelitas. Mais de cem reféns ainda permanecem em Gaza, incluindo alguns mortos.
Desde então, Israel lançou uma ofensiva na Faixa de Gaza, resultando em mais de 37.300 mortos e pelo menos 82.500 feridos, segundo o Hamas. Estima-se que 10.000 palestinianos estejam soterrados nos escombros, e a guerra de oito meses desencadeou uma grave crise humanitária com quase dois milhões de deslocados. Mais de 1,1 milhões de pessoas enfrentam uma “situação de fome catastrófica”, o maior número já registado pela ONU em estudos sobre segurança alimentar.
Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, ocupados por Israel, pelo menos 510 palestinianos foram mortos pelas forças israelitas ou por ataques de colonos desde 7 de Outubro, e cerca de 9.000 foram detidos desde essa data.

















