O grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) negou, ontem, ter atacado, na quarta-feira, uma central hidroeléctrica financiada pela União Europeia dentro do Parque Nacional de Virunga, no Nordeste da República Democrática do Congo (RDC).
“O Instituto Congolês para a Conservação da Natureza (ICCN) e todas as suas instalações não constituem um objectivo militar e, portanto, não podem ser alvo do Exército Revolucionário Congolês, a ala armada do M23”, disse um porta-voz do grupo, Lawrence Kanyuka, numa declaração emitida ontem.
Kanyuka atribuiu o “acto atroz” ao Exército congolês, que também acusou de cooperar com outros grupos rebeldes, tais como as Forças Democráticas de Libertação do Rwanda (FDLR) e os grupos Nyatura, formados por alguns líderes do genocídio rwandês de 1994 e outros rwandeses exilados na vizinha RDC, com o objectivo de recuperarem o poder político no país de origem.
“Esta coligação não poupa meios para alcançar a vitória militar a qualquer custo, incluindo o sacrifício humano. Posicionou a artilharia junto de residências, centros de saúde, pátios escolares, igrejas, etc., para usar os civis como escudos humanos”, disse Kanyuka.
O porta-voz também ofereceu ao ICCN a “cooperação” do M23 para esclarecer o que aconteceu durante o incidente de quarta-feira.
“O ataque ocorreu na nova central hidroeléctrica em Rwanguba, cujas obras estão em curso para fornecer energia a todo Leste do país”, disse Lawrence Kanyuka, acrescentado que houve várias vítimas mortais nas aldeias circundantes”.
A União Europeia (UE), que financia a construção da barragem, condenou o ataque, e apelou ao M23 para “depor as armas e retirar-se das áreas ocupadas”, segundo uma declaração emitida pela sua delegação na RDC.
O M23 foi fundado no início de 2012 como uma cisão do extinto Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), um grupo de rebeldes nascidos sobretudo no Rwanda, que lutou contra as FDLR em solo congolês. Em Novembro de 2012, o M23 avançou rapidamente para ocupar a cidade de Goma, capital do Kivu do Norte, onde permaneceu duas semanas.
Apesar de ter assinado um Acordo de Paz com o Governo congolês em 2013, o M23 voltou a atacar civis e posições das Forças de Segurança em toda a região do Kivu do Norte.
Em 29 de Junho, a chefe da Missão de Manutenção da Paz das Nações Unidas na RDC (MONUSCO), Bintou Keita, disse que o M23 é o grupo rebelde com uma capacidade militar mais robusta entre os cerca de 100 existentes na RDC.
O Governo congolês acusa o Rwanda de apoiar o M23, algo que Kigali sempre negou, embora um relatório confidencial de peritos da ONU, divulgado por alguns órgãos de informação em vários países, no início deste mês, confirme este facto.

















