A Nigéria prometeu adoptar medidas contra a estação de televisão britânica BBC por um documentário recente sobre as operações de grupos criminosos no norte do país, coincidente com a degradação da situação de segurança, por considerar “promoção do terrorismo”.
O ministro da Informação e Cultura da Nigéria, Alhaji Lai Mohammed, classificou o documentário como “pouco profissional” e criticou o facto de terem sido “feitas entrevistas a ‘senhores da guerra’ e gangues terroristas, que promovem o terrorismo no país”.
O governante acrescentou que as autoridades enviaram queixas à Comissão de Radiodifusão da Nigéria contra a BBC e o jornal Daily Trust relativamente ao documentário e exigiu “acções adequadas”, noticia o jornal nigeriano Vanguard.
Lai Mohammed também disse que a BBC não aderiu aos padrões que teria de cumprir no Reino Unido e prometeu sanções contra os dois órgão de comunicação social.
“Está a ser analisada que parte do Código de Radiodifusão foi violada pela BBC e pelo Daily Trust e posso garantir que haverá consequências”, vincou.
“Garanto que eles não ficarão impunes face a uma clara glorificação do terrorismo e do banditismo na Nigéria”, asseverou.
O ministro reforçou que “durante a época do IRA [Exército Republicano Irlandês], a BBC não ousaria fazer o que está a fazer agora na Nigéria”.
“A imprensa é o oxigénio que terroristas e bandidos usam para respirar”, afirmou, lamentando que “plataformas respeitáveis ??como a BBC deem espaço a terroristas, mostrando as suas caras como se fossem estrelas de Nollywood” – nome por que é conhecida a indústria cinematográfica na Nigéria -, concluiu Lai Mohammed.
Por seu lado, a BBC recordou que o programa “Africa Eye”, espaço no qual foi transmitido o documentário, lida frequentemente com questões controversas e complexas e tem defendido que o assunto é de interesse público e defendeu as acções dos seus jornalistas na preparação e divulgação do trabalho.
O documentário, de 50 minutos, analisa o aumento da actuação de grupos criminosos e terroristas no estado de Zamfara (norte), incluindo entrevistas com lideranças e membros desses grupos, responsáveis ??por dezenas de ataques e assassínios de centenas de civis e efectivos das forças de segurança nos últimos meses.
No final de Junho, as autoridades do estado de Zamfara pediram à população civil que se armasse porque nas semanas anteriores tinha sido registado um aumento dos níveis de insegurança, embora o Governo central se tenha pronunciado contra essa opção e alertado que abriria caminho à “anarquia”.
Os ataques armados na Nigéria, anteriormente centrados no nordeste do país — onde o Boko Haram e o grupo extremista Estado Islâmico na África Ocidental (ISWA, na sigla em inglês) operam — espalharam-se nos últimos meses para outras áreas do norte e noroeste, despertando os alarmes sobre o possível expansão dessas redes terroristas.

















