Internacional Camarões: Macron anuncia abertura de arquivos sobre o país

Camarões: Macron anuncia abertura de arquivos sobre o país

O Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu, terça-feira, aos historiadores que “lancem luz” sobre a acção da França nos Camarões, durante a colonização e após a independência, anunciando a abertura “completa” dos arquivos franceses sobre os momentos “dolorosos” e “trágicos”.

“Espero que possamos ter e lançar juntos um trabalho conjunto de historiadores camaroneses e franceses”, propôs Macron numa conferência de imprensa em Yaoun-dé, juntamente com o homólogo camaronês, Paul Biya.

As declarações de Macron surgiram após o apelo de um grupo de partidos políticos camaroneses ao Presidente francês para que reconheça os “crimes da França colonial”.

“Temos uma disputa histórica com a França e aproveitamos a oportunidade para sensibilizar os camaroneses em relação ao problema com a França, que é colocar todos os crimes da França sobre a mesa e resolver o problema definitivamente, se quisermos ter uma relação pacífica”, disse Bedimo Kuoh, do Movimento Africano para a Nova Independência e Democracia (Manidem), numa conferência de imprensa realizada, segunda-feira, em Douala.

Antes da independência dos Camarões, em 1960, as autoridades francesas reprimiram com violência os militantes nacionalistas empenhados na luta armada contra o colonizador.

Várias dezenas de milhares de activistas pró-UPC (União das populações dos Camarões, partido fundado na década de 1940), incluindo o líder independentista Ruben Um Nyobè, foram massacrados.

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Durante a conferência de imprensa, Valentin Dongmo, também membro do Manidem, pediu ao Chefe de Estado francês que “reconhecesse os crimes da França colonial, como começou a fazer na Argélia”.

Dongmo também apontou o dedo ao franco CFA, moeda comum a dez países africanos, incluindo os Camarões, emitida na França e considerada pelos seus detractores como um dos últimos vestígios da ‘France Afrique’, conceito que designa a esfera de influência francesa no continente africano.

Em comunicado, John Fru Ndi, presidente da Frente Social Democrata, um dos dois principais partidos da oposição, pediu “um ‘mea culpa’ da França (…) pelas flagrantes violações dos direitos humanos” e os abusos cometidos durante a luta pela autodeterminação, independência e reunificação”.

Durante a última visita de um Presidente francês a Yaoundé, François Hollande tinha admitido, em 2015, que tinha havido “episódios extremamente atormentados, mesmo trágicos”, acrescentando na altura: “Estamos abertos para que os livros de história possam ser abertos e os arquivos também”.

O discurso sobre este período “alimenta uma forma de desconfiança e fantasia” que mancha a imagem da França, comentou um diplomata francês ouvido pela agência France Press (AFP).

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