A Organização Não-Governamental (ONG) Human Rights Watch alertou que grupos islâmicos armados, forças de segurança governamentais e milícias estão a aumentar os abusos contra civis no Burkina Faso, à medida que o conflito se agrava e se espalha.
O Governo do Burkina Faso, no poder desde Janeiro de 2022 através de um golpe de Estado, “deveria fazer um melhor trabalho para proteger os civis de ataques e assegurar que as forças governamentais respeitem os direitos humanos”, defendeu a ONG de Defesa dos DireitosHumanos, num relatório divulgado pelo seu escritório no Quénia e ao qual a Reuters teve acesso.
Os grupos extremistas islamistas armados, que fazem do Burkina Faso palco das suas actividades desde finais de 2015, têm-se tornado “cada vez mais violentos, cometendo centenas de assassinatos, execuções sumárias e violações de civis, bem como saques generalizados”, sublinha a Human Rights Watch (HRW). Mas desde então, também, as forças de segurança governamentais e milícias envolvidas em operações anti-terrorismo “têm alegadamente matado ilegalmente centenas de civis e supostos combatentes islamistas, encorajando o recrutamento dos grupos armados”, acusa igualmente o relatório.
Os combates no país forçaram 1,8 milhões de pessoas a abandonar as casas, principalmente nas regiões do Sahel e do Centro-Norte do país. “Os grupos islâmicos armados demonstram, dia após dia, o profundo desrespeito pela vida e subsistência dos civis”, afirma Corinne Dufka, directora da HRW para o Sahel, citado no texto da organização com sede em Nova Iorque.
Por outro lado, acrescenta a activista, “as forças governamentais e milícias aliadas devem respeitar escrupulosamente os direitos humanos e o direito internacional humanitário, e abster-se de matar em nome da segurança”.
A HRW entrevistou entre 7 e 21 de Abril, em Ouagadougou, e em Kaya, uma cidade a Norte da capital do Burkina Faso, 83 sobreviventes e testemunhas de incidentes ocorridos entre Setembro de 2021 e Abril deste ano nas regiões de Boucle du Mouhoun, Cascades, Centro-Norte, Leste, Norte, Sahel e Sudoeste do país.
A organização entrevistou profissionais de saúde, analistas de segurança, funcionários governamentais, diplomatas, representantes das Nações Unidas, e trabalhadores humanitários.

















