A Argélia decidiu na quarta-feira (22) fechar de forma “imediata” o seu espaço aéreo para todos os aviões civis e militares do Marrocos, assim como os que possuem matrícula no reino do norte da África, anunciou a Presidência argelina.
A decisão foi anunciada após uma reunião do HCS, liderada pelo presidente Abdelmadjid Tebboune e dedicada à situação nas fronteiras com o Marrocos. O governo argelino decidiu fechar o espaço aéreo “devido à continuidade das provocações e de práticas hostis por parte do Marrocos”.
No dia 24 de agosto, a Argélia rompeu relações diplomáticas com o Marrocos ao acusá-lo de empreender “ações hostis” após meses de tensões entre os dois países do Magrebe. O ministro das Relações Exteriores argelino, Ramtane Lamamra, criticou na época o governo marroquino por “nunca ter deixado de cometer ações hostis contra a Argélia”.
As relações entre Argel e Rabat sempre foram complicadas e se deterioraram ainda mais devido à questão do Saara Ocidental, considerado um “território não autônomo” pela ONU, mas onde o grupo Frente Polisário trava um conflito com o Marrocos que já dura décadas.
Os independentistas exigem a realização de um referendo de autodeterminação contemplado pela ONU, enquanto o Marrocos, que controla mais de dois terços dessa ex-colônia espanhola no Magrebe, propõe no máximo uma autonomia sob sua soberania.
A normalização das relações diplomáticas entre Marrocos e Israel, em troca do reconhecimento da “soberania” marroquina sobre o território por parte dos Estados Unidos, intensificou as tensões com a Argélia, que apoia a causa palestina. Além disso, o governo argelino denunciou que se tratam de “manobras estrangeiras” para desestabilizar o país.
Os vínculos diplomáticos entre Argélia e Marrocos foram quebrados pela primeira vez em 7 de março de 1976, quando Argel reconheceu a República Árabe Saaraui Democrática (RASD), autoproclamada pelos independentistas da Frente Polisário.
















