O Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO) vai submeter uma contestação ao Tribunal Superior sul-africano face à decisão de extraditar para Maputo o ex-ministro moçambicano Manuel Chang, detido a pedido dos EUA.
O FMO vai interpor uma ação contra esta decisão, que para nós é o triunfo da impunidade”, declarou Adriano Nuvunga, diretor do Centro Para Democracia e Desenvolvimento (CDD), que dirige atualmente o FMO, plataforma que junta várias organizações da sociedade civil moçambicana.
Em causa está a decisão anunciada pelo Ministério da Justiça sul-africano, de que a África do Sul decidiu extraditar para Moçambique o ex-ministro das Finanças Manuel Chang, detido na África do Sul em 2018 a pedido dos Estados Unidos da América (EUA) no caso das “dívidas ocultas”.
Para a organização não-governamental, a extradição de Chang para Moçambique resulta de um “acordo entre as elites moçambicanas e sul-africanas”, que se aproveitaram do arranque em Moçambique do julgamento no caso das dívidas ocultas para “legitimar a decisão”.
“O julgamento é teatral e foi montado para legitimar esta decisão, que representa a vitória do tráfico ilícito de capitais. Nós vamos contestar porque Manuel Chang em Moçambique não enfrentará realmente a justiça”, frisou Adriano Nuvunga.
O documento de contestação será submetido na terça-feira (24.08) ao Tribunal Superior e ao Ministério da Justiça da África do Sul pelo FMO, entidade que tem defendido a extradição de Chang para os EUA desde a sua detenção em território sul-africano.
Manuel Chang, 64 anos, foi detido no Aeroporto Internacional O.R. Tambo, em Joanesburgo, em 29 de dezembro de 2018, quando tentava embarcar para o Dubai, à luz de um mandado internacional emitido em 27 de dezembro pela Justiça norte-americana, que pediu a sua extradição no âmbito da sua investigação às dívidas ocultas em Moçambique.

















