O Governo etíope reagiu às declarações de Donald Trump segundo as quais o Egipto faria “explodir” a barragem etíope no Nilo se não se chegasse a acordo durante a fase de enchimento do depósito.

As autoridades etíopes denunciaram a declaração do Presidente dos Estados Unidos como “ameaças beligerantes” pronunciadas a respeito da disputa com o Egito e o Sudão do Sul sobre a fase final da construção da barragem Grand Renaissance no Nilo Azul. Trump sugeriu que o Governo egípcio acabaria por “fazer explodir” a barragem caso não se resolva o beco sem saída em que estão as negociações.

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed não referiu Trump nas declarações divulgadas pelo seu gabinete neste sábado, preferindo a seguinte formulação: “Ainda abundam declarações ocasionais de ameaças beligerantes que fariam a Etiópia sucumbir a termos injustos. Estas ameaças e afrontas à soberania etíope são mal dirigidas, pouco produtivas e uma clara violação da lei internacional”. Abiy esclareceu ainda não reconhecer direitos que se baseiam em tratados coloniais, aludindo às relações dos Estados Unidos com o Egito.

MILHÕES DE DÓLARES DE AJUDA SUSPENSOS

Segundo ordem do Presidente americano, no início do ano, o Departamento de Estado suspendeu milhões de dólares de ajuda à Etiópia por causa da disputa da barragem. Adis Abeba respondeu acusando Washington de ter sido tendencioso nos seus esforços de fazer chegar a um acordo o projeto que envolve os três países, Etiópia, Egito e Sudão do Sul, tendo como consequência o abandono dessa fase das negociações pela Etiópia.

A Barragem Grand Renaissance é vista pelos etíopes como um triunfo da engenharia e um meio essencial para a saída da pobreza da sua população uma vez que vai produzir eletricidade em quantidade para exportar para os países vizinhos.

A disputa arrasta-se com o argumento vindo do Cairo que diz depender em mais de 90% das águas do Nilo para o fornecimento de água e teme que a diminuição do caudal possa vir a ter um efeito devastador na economia egípcia.