Presidente angolano diz esperar que jornalistas não venham a ser detidos, mas adverte que autoridades vão manter a ordem.

O Presidente angolano responsabilizou a UNITA por um possível aumento de casos da Covid-19 no país e condenou aqueles que, segundo ele, violam as normas do estado de calamidade, embora reconheça o direito à manifestação.

Para João Lourenço, “o envolvimento directo da UNITA e seus deputados à Assembleia Nacional, devidamente identificados, é reprovável e deve merecer o mais veemente repúdio da sociedade angolana, que não pode permitir que partidos políticos com assento parlamentar incitem os jovens e a população à desobediência civil”.

Na abertura de mais uma reunião do Comité Central nesta sexta-feira, 29, em Luanda, o Presidente acrescentou que “a UNITA deve assumir todas as consequências dos seus actos de irresponsabilidade, que podem contribuir para o aumento acentuado de novos casos de contaminação por covid-19″.

Depois de referir-se aos investimentos feitos pelo Governo na luta contra a pandemia, Lourenço responsabilizou o principal partido da oposição se o país voltar ao estado de emergência, o que, sublinhou, todos gostaríamos de evitar, pelas consequências graves na vida familiar, social e profissional das pessoas e na economia do país”.

“A estratégia de tornar o país ingovernável, para forçar negociações bilaterais, no actual contexto político, em que as instituições democraticamente instituídas funcionam em pleno, não é concretizável”, advertiu Lourenço, dois dias depois de ter recebido em audiência o antigo presidente da UNITA, Isaías Samakuva, que pediu que ele dialogue com aquele partido.

Direito à manifestação” condicionado”

Embora tenha defendido o direito dos cidadãos a se manifestarem, o líder do MPLA destacou que “o seu pleno usufruto fica temporariamente condicionado”, através do Decreto Presidencial do estado de calamidade pública, para evitar a “grave ameaça” de propagação e contaminação de Covid-19.

Ele advertiu ainda que, frente à eventualidade de replicas de manifestações noutros pontos do país, as autoridades vão estar atentas.

Para Lourenço, os jovens devem evitar ser manipulados “por aqueles que não têm a condição de resolver os vossos problemas de educação, saúde, habitação e emprego, porque estes problemas já estão sendo resolvidos, à medida do possível, pelo Executivo e seus parceiros, o sector empresarial privado”.

Sem se referir directamente à prisão dos activistas e ao processo judicial em curso, o Presidente angolano lamentou a detenção de jornalistas “devidamente credenciados e no pleno exercício das suas funções, situação que espero não volte a acontecer”.