Internacional Em nome da economia, ex-governante defende opção de deixar idosos morrer

Em nome da economia, ex-governante defende opção de deixar idosos morrer

Tony Abbott critica as “ditaduras da saúde” a que os países ficaram presos e defende que famílias deveriam poder escolher se querem deixar os seus idosos morrer.

O ex-primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, protestou contra as “ditaduras da saúde” face ao novo coronavírus, referindo que o custo económico das medidas de confinamento é elevado e que as famílias deveriam poder escolher se querem deixar os seus idosos morrer, “seguindo o curso normal da natureza”.

Segundo o ex-governante, por cada ano de vida de um idoso, o governo australiano gasta cerca de 200 mil dólares (123.800 euros), o que ultrapassa o custo de determinados medicamentos vitais.

Num discurso no Policy Exchange, reporta o The Guardian, Abbott acusou ainda os políticos de pensarem como “economistas da saúde, treinados para fazer perguntas desconfortáveis sobre o número de mortes com que possivelmente teremos de conviver”.

O objetivo dos governos passou de evitar que os hospitais fiquem sobrelotados por pacientes com Covid-19 para o alcance da transmissão zero, disse, isto com o desejo de preservar quase todas as vidas a qualquer custo.

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“É uma má altura para alguém que tenha o vírus, mas também é uma má altura para pessoas que preferiam não ser comandadas por autoridades, apesar da boa intenção”, acrescentou.

Abbott apontou ainda que “neste clima de medo” é difícil para os governos perguntarem-se ‘quanto vale uma vida’. “Todas as vidas são preciosas e todas as mortes são tristes, mas isso nunca impediu as famílias de escolherem se querem manter os seus familiares o mais confortáveis possível, enquanto a natureza segue o seu curso”.

O ex-governante apontou ainda que a Austrália – que registou hoje uma queda de 7% no PIB, o pior declínio da sua história – não só está a sofrer com os danos económicos, como os jovens estão a perder o sentido de responsabilidade pessoal com este ‘para-arranca’.

“Não é possível manter 40% dos trabalhadores com um tipo de subsídio, enquanto o Estado acumula défices não vistos desde a II Guerra Mundial”.

Na ausência de uma vacina, “temos de, em algum momento, apenas viver com o vírus”, defendeu.

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