A Rússia negou na quinta-feira 30, qualquer intenção de desestabilizar a “aliada” Bielorrússia, após a detenção pelas autoridades bielorrussas de “combatentes” russos suspeitos da preparação de “atos de terrorismo”, a dias das eleições presidenciais de 9 de agosto.

“Existem insinuações de que organizações estão a enviar (elementos) para desestabilizar a situação na Bielorrússia (…), é óbvio que isso não é o caso, a Rússia e a Bielorrússia são aliadas, parceiros muito próximos”, afirmou o porta-voz do Kremlin (Presidência russa), Dmitri Peskov, em declarações à comunicação social.

Bielorrússia divulgou na quarta-feira a detenção perto da capital do país, Minsk, de 32 “combatentes” do grupo paramilitar russo Wagner, considerado como próximo do Kremlin.

Seria igualmente confirmada a detenção de uma outra pessoa em outro local do território bielorrusso.

O porta-voz do Kremlin confirmou hoje que os suspeitos são todos russos e que outras 200 pessoas estão a ser procuradas pelas autoridades bielorrussas.

Na quarta-feira, e após o anúncio da detenção dos “combatentes” russos, o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, pediu explicações à Rússia.

“Se são cidadãos russos, e pelo que entendi é o caso, após terem sido interrogados, é então necessário dirigir-nos imediatamente às instâncias russas competentes para que expliquem o que se passa”, declarou, na quarta-feira, Lukashenko, citado pela cadeia televisiva pública bielorrussa STV.

Segundo o secretário de Estado do Conselho de Segurança bielorrusso, Andrei Ravkov, os elementos detidos são “suspeitos da preparação de atos de terrorismo”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros bielorrusso informou hoje ter convocado o embaixador russo naquele país para fornecer explicações “sobre os objetivos (…) deste grupo organizado de operacionais, alguns dos quais com experiência em conflitos armados”.

O grupo paramilitar russo Wagner é regularmente acusado de destacar mercenários para zonas que são alvo de intervenções de forças estrangeiras, como é o caso da Ucrânia, Síria, Líbia ou da República Centro-Africana.

Apesar de ser conhecido pelas ligações próximas ao Kremlin, Moscovo prefere não ser oficialmente associado ao grupo paramilitar.

A operação de detenção destes “combatentes” russos, realizada pelos serviços de segurança internos bielorrussos, coincide com uma campanha eleitoral assinalada por uma mobilização pouco habitual a favor da oposição e uma repressão contra os manifestantes e os rivais políticos do chefe de Estado Lukashenko

Bielorrússia organiza em 09 de agosto uma eleição presidencial cuja campanha foi assinalada por uma violenta repressão e diversas detenções de candidatos à eleição ou de manifestantes da oposição.

O Presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1994 e candidato a um sexto mandato, acusou Moscovo de apoiar os seus opositores, uma alegação desmentida pelo Kremlin.

As relações entre a Rússia e a Bielorrússia são tradicionalmente cordiais, mas assinaladas por momentos regulares de tensão relacionados com as disputas energéticas.

Nos últimos meses, Lukashenko tem, no entanto, multiplicado as declarações denunciando as pressões russas, e acusando designadamente Moscovo de pretender tornar o seu país em vassalo e procurar manipular as eleições presidenciais.