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ONU diz que países africanos com conflitos armados triplicaram nos últimos 15 anos

A responsável da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), Vera Songwe, disse ontem (06) que o número de países africanos com conflitos armados em alguma parte do seu território triplicou nos últimos 15 anos.

“Em 2005, só havia seis países com conflitos activos no continente e sete conflitos armados”, disse Vera Songwe.

A responsável das Nações Unidas falava, na sede da União Africana, em Adis Abeba, Etiópia, no arranque da 36.ª reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros (Conselho Executivo) dos 55 países membros da organização.

O encontro, que decorre entre hoje e sexta-feira, antecede a 33.ª cimeira de Chefes de Estado e de Governo da UA, marcada para domingo e segunda-feira, e que tem como tema “Silenciar as armas, criar condições favoráveis para o desenvolvimento em África”.

Songwe, que citou dados do Instituto de Investigação pela Paz de Oslo, classificou a atual situação como pior, adiantando que existem 17 países africanos em que existe algum tipo de conflito armado.

“Hoje a nossa tarefa é fazer uma chamada de atenção por aqueles que não têm voz, pelos mutilados de guerra, pelos assustados pela violência que envolve a humanidade”, disse.

O programa para o silenciamento das armas em África até 2020 foi lançado, em 2010, e adotado, em 2013, pelos líderes da União Africana como um dos projetos emblemáticos da organização, que considera os conflitos como um dos maiores impedimentos à implementação da sua agenda de desenvolvimento para o continente (Agenda 2063).

A proposta era acabar com todas as guerras, conflitos armados, violência sobre mulheres e violações de direitos humanos, bem como prevenir a ocorrência de novos genocídios no continente.

Apesar do objectivo estar longe de ser alcançado, nas duas últimas décadas foram resolvidos conflitos em países como Angola, Costa do Marfim, Libéria ou Serra Leoa e feitos progressos em casos considerados difíceis, como a Somália e o Sudão, de acordo com uma avaliação do Institute for Security Studies (ISS), com sede em Adis Abeba.

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Conflitos armados, violência étnica e ataques extremistas continuam a afetar países como a Líbia, o Sudão do Sul, a República Centro Africana, a República Democrática do Congo, bem como partes da Nigéria, Níger e Camarões.

“Dez anos depois superamo-nos para pior”, considerou Songwe.

A responsável da UNECA sustentou que acabar com os conflitos exigirá que todas as armas importadas pelos países do continente sigam as práticas internacionais.

Durante a cimeira será lançada uma campanha para acabar com as armas ilegais em África, estando previsto um mês de amnistia, em setembro de 2020, em que as armas compradas ilegalmente poderão ser entregues as autoridades sem penalizações.

De acordo com um estudo, de 2017, da organização Oxfam, cerca de 500 mil pessoas morrem e milhares de outras são deslocadas anualmente em África em resultado de conflitos e violência armada.

A maioria das armas existentes em África são importadas, com os gastos oficiais com equipamento militar no continente a atingirem os 40,2 mil milhões de dólares em 2018, segundo dados do ISS.

Entre 2014 e 2018, a Rússia, China, Ucrânia, Alemanha e França, foram principais países fornecedores de armas à África, enquanto o Egipto, Argélia e Marrocos foram os principais receptores dessas armas, de acordo com um estudo do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI),

A 33.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana reunirá, no domingo e segunda-feira, representantes dos 55 países membros da organização, incluindo dos países africanos lusófonos, em Adis Abeba.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o presidente da Palestina, Mahmud Abbas, e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, estão entre os convidados para a cimeira.

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