O chefe do estado-maior do exército etíope, o general Seare Mekonnen, foi baleado e está ferido, anunciou no domingo (23), o primeiro-ministro do país, Abiy Ahmed.

Vestido com o uniforme militar, o primeiro-ministro fez uma declaração no canal de televisão estatal da Etiópia, mas não detalhou se os ferimentos do general Seare Mekonnen são graves ou muito graves.A embaixada dos Estados Unidos em Adis Abeba emitiu alertas após relatos de tiros na capital e violência na cidade de Bahir Dar, no estado regional de Amhara (noroeste).

A Internet foi cortada na Etiópia e nenhuma informação adicional sobre o ataque contra o alto oficial militar está disponível.Na noite de sábado, o Governo etíope anunciou que uma “tentativa de golpe” foi realizada por um “grupo armado” em Amhara, a segunda região mais populosa do país, sem fornecer detalhes.”A tentativa de golpe no estado regional de Amhara é inconstitucional e tem como objectivo romper a paz conquistada”, afirmou o gabinete do primeiro-ministro em comunicado.”Essa tentativa ilegal deve ser condenada por todos os etíopes. O Governo federal tem toda a capacidade de derrotar esse grupo armado”, acrescentou.

Um jornalista em Bahir Dar, a capital regional, disse à AFP que os tiros foram ouvidos logo após o pôr-do-sol e continuaram por várias horas. Desde que assumiu o cargo, em Abril de 2018, após dois anos de distúrbios na Etiópia, o primeiro-ministro reformista Abiy Ahmed está a tentar democratizar o país.

Legalizou grupos dissidentes, melhorou a liberdade de imprensa, mandou deter dezenas de militares acusados de abusos dos direitos humanos e fez as pazes com a Eritreia depois de mais de vinte anos de conflito.

Apesar disso, a Etiópia foi palco de conflitos étnicos em várias partes do país nos últimos meses, nomeadamente entre os grupos Oromo e Somali. Além das necessidades de ajuda humanitária aos deslocados, a Etiópia acolhe ainda perto de um milhão de refugiados oriundos de países vizinhos, como o Sudão do Sul e a Somália.

RM