A justiça chechena condenou a quatro anos de prisão o ativista Oïoub Titiev por posse de drogas, uma acusação que os defensores dos direitos humanos consideram fabricada.

“O conjunto de provas escritas, orais e outras forneceram a tribunal motivos suficientes para estabelecer a culpabilidade de Titiev no delito de que é incriminado”, indica a sentença e de acordo com a agência noticiosa Interfax.

Desta forma, o tribunal da cidade de Shali confirmou o pedido da procuradoria, que pedia quatro nos de prisão para Titiev, enquanto a defesa insistia até ao último momento na sua inocência.

Titiev também recusou admitir culpabilidade e acusou as autoridades de fabricarem a causa, ao indicar que o veredicto final seria sempre o emitido pela acusação.

Diversas organizações de direitos humanos, com destaque para a Memorial onde Titiev colabora desde há vários anos, pugnaram pela inocência do acusado.

Em 15 de Março, a Human Rights Watch (HRW) exigiu a sua libertação imediata, e denunciou que o processo “se baseia em provas falsas, tem motivações políticas e procura silenciar as denúncias de atropelos aos direitos humanos na Chechénia”.

Segundo a HRW, por detrás da perseguição ao ativista encontra-se o líder checheno, Ramzan Kadirov.

Nos meses anteriores à sua detenção, Titiev recolheu importantes informações sobre desaparecimentos forçados, execuções extrajudiciais e detenção secreta de pessoas pelas forças de segurança chechenas.

Em 11 de Março, a Amnistia Internacional também se pronunciou pela libertação de Titiev.

O advogado do ativista checheno assegurou que a culpabilidade do seu cliente nunca foi provada, a que se juntam declarações de diversos testemunhos a seu favor.

Titiev, cuja libertação também foi pedida pelos Estados Unidos e União Europeia, foi detido em Janeiro de 2018 quando seguia no seu automóvel, onde a polícia encontrou 180 gramas de marijuana.

Memorial, a organização não-governamental mais prestigiada da Rússia, considera que a detenção de Titiev está relacionada com o seu ativismo político, que não tem a “aprovação” do líder checheno.

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