Duas nomeações pela Comissão Política da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) causaram um clima de mal-estar entre os membros do partido na província de Sofala.

Ricardo Gerente foi reconduzido no cargo de delegado provincial e João Marata foi nomeado como delegado da cidade da Beira, por ordem do presidente da Renamo, Ossufo Momade.

Mas vários membros da Renamo exigem que os delegados sejam eleitos pelas bases do partido e não por indicação do presidente, à luz dos estatutos revistos no último congresso, realizado em janeiro na Gorongosa.

“Queremos que o delegado da cidade da Beira seja eleito”, afirma o militante da Renamo, Ricardo Colaço.

Perseguição política?

Colaço diz que não apoiou a candidatura de Ossufo Momade à liderança da Renamo – apoiou Elias Dhlakama. E vários membros alegam que as nomeações feitas por Momade são uma forma de vingança.

Luís Chitato, exonerado do cargo de delegado na Beira com a nomeação de João Marata, diz que situações do género têm acontecido noutras províncias.

“Estou a falar do delegado de Tete, dos delegados de Moatize… E hoje é a cidade da Beira, em que o delegado será empossado à força, o que nós não queremos. Queremos que seja eleito”, afirmou.

Assim, desafiando as ordens de Ossufo Momade e da Comissão Política da Renamo, alguns membros da província elegeram Sandura Vasco Ambrósio e Luís Chitato para os cargos de delegado provincial e delegado da cidade, respectivamente.

“Presidente é o responsável”

Gerónimo Malagueta, membro da Comissão Política Nacional da Renamo, minimiza as acusações de perseguição política. E assegura que é o presidente do partido que indica os delegados políticos nas províncias.

“Nunca houve essa prerrogativa de que o delegado deve ser eleito”, diz Malagueta. “O presidente é o responsável máximo do partido e, portanto, todos órgãos estão subordinados à sua liderança.”

DW