O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, negou esta segunda-feira que tenha permitido a pilhagem organizada de um banco no país, escândalo financeiro que abala a classe política do país meses antes das eleições gerais.

“A Presidência rejeita categoricamente a informação da imprensa de acordo com a qual o Presidente Cyril Ramaphosa reagiu ao caso do banco VBS, apesar de ter sido avisado de irregularidades já em 2017”, segundo o comunicado, citado pela agência noticiosa France Presse.

Na semana passada, um relatório pedido pelo Banco Central da África do Sul revelou que o equivalente a 110 milhões de euros terão sido fraudulentamente retirados das contas da VBS Mutual, banco conhecido por conceder um empréstimo ao ex-Presidente sul-africano Jacob Zuma.

O assunto afetocu o partido dos Combatentes pela liberdade económica (EFF, esquerda radical), cujo vice-presidente Floyd Shivambu é suspeito, com o seu irmão, de fazer parte dos alegados “saqueadores” da instituição financeira. No sábado, Shivambu negou ter recebido uma transferência de 10 milhões de rands (590.000 de euros) da VBS na sua conta pessoal, denunciando um “grande empreendimento fraudulento para enganar as pessoas com informações falsas”.

Vários membros do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla inglesa) no poder também foram implicados. No fim-de-semana, o Presidente e chefe de Estado, Cyril Ramaphosa, viu-se por sua vez apanhado no escândalo. Vários meios de comunicação, citando fontes anónimas, afirmaram que Ramaphosa tinha sido informado de fraudes em curso no banco desde 2017, quando era vice-Presidente do país, mas absteve-se de intervir para proteger os seus interesses particulares. Cyril Ramaphosa é considerado um dos empresários mais ricos do país.

“Estas são alegações muito graves”, disse o líder da oposição Mmusi Maimane, anunciando que chamaria o chefe de Estado ao parlamento na quinta-feira, para esclarecimentos sobre este assunto. “Essas alegações são infundadas”, respondeu esta segunda-feira a Presidência, acrescentando que “os sul-africanos não devem ser enganados por aqueles que querem se exonerar de suas responsabilidades”.

As eleições gerais na África do Sul estão previstas para Abril ou Maio de 2019.

CM