O governo venezuelano é o responsável pelo motim e incêndio de quarta-feira numa prisão em Carabobo, 150 quilómetros a oeste de Caracas, que provocou a morte de 68 presos, acusaram hoje várias organizações não-governamentais e familiares das vítimas.
“Lamentavelmente nas prisões da Venezuela queimam os presos. Essa é uma responsabilidade do Estado, ninguém pode fugir às responsabilidades”, disse aos jornalistas o director do Observatório Venezuelano de Prisões (OVP).
Segundo Humberto Prado, “em casos anteriores eles (as autoridades) culparam a imprensa e as organizações não-governamentais” mas “aí está o que acaba de acontecer, há pessoas calcinadas”.
No mesmo sentido, Carmem Valera, tia de uma das vítimas, denunciou aos jornalistas que na prisão ocorreu “um massacre” e responsabilizou as autoridades pelo ocorrido.
“O que aconteceu foi um massacre, foram queimados com gasolina e incendiados. Aqui (na Venezuela) ninguém sabe de nada porque ocultam tudo”, acusou, citada pelo portal da Internet Caraota Digital.
Segundo Carmen Valera, é falsa a versão dada pelas autoridades, porque os presos foram “queimados com gasolina”.
Para as ONG o acontecido em Carabobo “não é um caso isolado”.
Em Agosto de 2017, pelo menos 14 presos ficaram feridos e 37 morrem durante um motim em celas da polícia no Estado de Amazonas, a sul da Venezuela.
“Todas as esquadras da polícia na Venezuela têm condições iguais ou piores de sobrelotação, falta de alimentos e doenças”, acusou o director da ONG Uma Janela à Liberdade, Carlos Nieto, ao diário venezuelano El Nacional.
Segundo Humberto Prado, director do OVP, em 1993, em Sabaneta (sudoeste de Caracas) 109 pessoas morreram queimadas, depois de outras 25 em La Planta (sul da capital) e de outras 10 em Carúpano (leste do país), onde, “como não havia lugar nos calabouços foram queimados na ambulância em que dormiam”.
Entretanto o arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa Savino, lamentou o ocorrido que, no seu entender “reflecte o mau estado do sistema penitenciário” venezuelano.
Segundo as autoridades venezuelanas pelo menos 68 pessoas morreram, quarta-feira, durante um motim no Comando Geral da Polícia de Carabobo, na cidade venezuelana de Valência.
A causa da morte da maioria das vítimas terá sido asfixia, na sequência de um incêndio alegadamente provocado pelos presos.
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