Num pedido inusitado nos meios jurídicos e de investigação policial brasileiros, o ex-ministro de articulação política do presidente Michel Temer, Geddel Vieira Lima, preso por corrupção, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), para saber quem o denunciou.
Geddel, um dos políticos mais próximos de Temer, de quem é amigo há décadas, foi preso pela segunda vez em Setembro, depois de a Polícia Federal, após uma denúncia anónima, ter encontrado 13,7 milhões de euros em dinheiro vivo dentro de caixotes num apartamento na cidade de Salvador, emprestado ao ex-ministro.
No requerimento enviado ao STF, o advogado de Geddel, Gamil Foppel, solicita ao tribunal que obrigue a Polícia Federal a revelar o número de telefone de onde partiu a denúncia e a quem esse número pertence.
Geddel também exige saber quem foi o agente que atendeu a chamada, bem como outras informações sobre as circunstâncias que fizeram desencadear a operação “Tesouro Perdido”, que levou à invasão do apartamento e a localização do dinheiro, cuja origem até agora o antigo ministro não explicou.
Perguntado por repórteres sobre o motivo de querer saber a identidade de quem denunciou Geddel ou, ao menos, a do dono do telefone de onde a chamada foi feita, dados classificados pelo causídico na petição ao tribunal como “absolutamente essenciais”, Foppel recusou responder.
Através de comunicado, ele afirmou apenas que é direito do seu cliente conhecer todos os detalhes relativos ao processo e que as forças policiais brasileiras, ao contrário de jornalistas, não têm o direito de manter o sigilo das suas fontes. Geddel Vieira Lima foi forçado a deixar o governo do amigo Michel Temer após um escândalo denunciado por outro ministro, o da Cultura, Marcelo Calero, de que Geddel o pressionava a aprovar a construção de um edifício residencial de alto luxo numa área histórica de Salvador, onde o então titular da articulação política do governo alegadamente ia receber um apartamento.
Preso algum tempo depois e acusado por “arrependidos” que passaram a colaborar com a operação anti-corrupção Lava Jato de ser um intermediário no recebimento de “luvas” pelo próprio Temer, Geddel foi beneficiado assim mesmo com o direito a prisão domiciliária mas, após a descoberta da fortuna inexplicada, voltou para a Penitenciária da Papuda, em Brasília. Antes deste inusitado pedido, Geddel já tinha protagonizado outro episódio incomum.
Ele pediu (e não conseguiu) para voltar a cumprir a prisão preventiva em casa, sob a também inusitada alegação de que presos pertencentes a uma fação criminosa de Brasília estariam a preparar-se para o transformarem em escravo sexual dentro da prisão.
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