O assassino em série Charles Manson, um dos criminosos mais famosos do século 20 nos Estados Unidos, morreu aos 83 anos no domingo (19) em Kern County, Califórnia, de causas naturais.
Ele foi o líder de uma seita que assassinou pelo menos sete pessoas, sendo a mais famosa delas a actriz Sharon Tate, esposa do então já premiado director de cinema Roman Polanski
Ela morreu em 1969, grávida de oito meses, após ganhar um Globo de Ouro (prêmio norte-americano de cinema e televisão).
Seguindo ordens de Manson, membros da seita invadiram a casa da actriz e a mataram em posição fetal com 16 facadas. Outros quatro amigos e conhecidos que a visitavam também foram esfaqueados –um deles com 51 golpes.
“Destruam totalmente todas as pessoas dentro da casa, da forma mais horrível possível“, teria ordenado o líder. Os assassinos usaram o sangue das vítimas para escrever mensagens nas paredes.
Uma de suas seguidoras, Susan Atkins admitiu em tribunal que outros assassinatos macabros haviam sido previstos pelo guru, incluindo os de estrelas como Frank Sinatra e Elizabeth Taylor.
Manson foi sentenciado a morrer na câmara de gás em 1971. A pena capital, porém, foi alterada para prisão perpétua depois que os tribunais declararam inconstitucional punir com a morte os reclusos no Estado da Califórnia.
As mortes foram resultado de uma tese apocalíptica de Manson, que dizia acreditar que brancos e negros travariam uma disputa sem precedentes nos Estados Unidos.
Em suas pregações, ele dizia que o White Album (Álbum Branco), dos Beatles — e em especial a canção Helter Skelter –– seria uma espécie de quebra-cabeças com revelações codificadas sobre a iminência do confronto racial pelo poder nos EUA.
O objectivo de Manson era “acelerar” esta guerra racial, por meio de assassinatos falsamente associados a afro-americanos. Ele prometia protecção aos seguidores e dizia que se tornaria um messias ao fim da guerra.
Durante os assassinatos na casa de Tate, os seguidores da seita espalharam pistas falsas, numa tentativa de incriminar os Panteras Negras, icónico grupo que lutava contra o racismo e chamava atenção na época por todo país.
Na cadeia, Manson tatuou uma suástica na testa
Após sete anos preso, Manson foi declarado elegível para obter a liberdade condicional, mas seus pedidos foram repetidamente negados depois que autoridades concluíram que ele ainda era um preso muito perigoso.
Manson somava centenas de sanções por mau comportamento na prisão, onde também gravou uma tatuagem em forma de uma suástica na testa.
Nos últimos 20 anos, ele sempre se negou a comparecer às audiências para liberdade condicional e, em entrevista concedida à revista “Vanity Fair” em 2011, se descreveu como um homem “mesquinho, sujo, fugitivo e ruim”, afirmando que foi condenado por “ser a vontade de Deus”.
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