O tribunal de Mugla (sudoeste) condenou 34 pessoas a prisão perpétua, incluindo o general de brigada Gökan Sönmezates, apontado como o líder do grupo de golpistas que tinha por objectivo “capturar ou matar” Erdogan, segundo as cadeias televisivas NTV e CNN-Türk.

O tribunal ilibou no entanto um antigo militar e dissociou do processo os ‘dossiers’ de três indicados, incluindo o predicador Fethullah Gülen, acusado por Ancara de ser o mentor do golpe de força, uma incriminação que o próprio continua a rejeitar.

Este é o mais importante de todos os processos que decorrem na Turquia após a tentativa de golpe de Estado, que provocou cerca de 250 mortos, excluindo as baixas entre os envolvidos na intentona.

Na noite de 15 para 16 de Julho de 2016, quando os golpistas tentavam assumir o controlo dos centros de poder em Istambul e Ancara, um comando de soldados assaltou o hotel onde Erdogan passava férias com a família em Marmaris (sudoeste da Turquia).

De acordo com Erdogan, este comando, que teria por missão capturá-lo ou liquidá-lo, chegou pouco após a sua saída apressada do hotel. Dois polícias destacados para a protecção do Presidente turco foram mortos no tiroteio que se seguiu.

De seguida, os membros deste comando esconderam-se nos campos circundantes e foram detectados após uma operação de busca que de prolongou por vários dias.

O predicador Gülen, exilado nos Estados Unidos desde o final da década de 1990, está a ser julgado à revelia no âmbito deste processo.

A audiência de hoje foi transferida para a câmara de comércio e indústria de Mugla, mais espaçosa que o tribunal, indicou a agência Anadolu, acrescentando que o edifício foi inspeccionado por unidades com cães pisteiros, e que atiradores de elite estavam colocados nos telhados dos edifícios circundantes.

Os processos, iniciados em Fevereiro, decorreram em ambiente de grande tensão, com manifestantes a exigirem em cada audiência o restabelecimento da pena de morte para os acusados.

Após a tentativa de golpe, as autoridades turcas desencadearam uma resposta implacável, com a perseguição sistemática aos alegados seguidores do predicador Gülen, e que se estenderam a outros sectores da sociedade turca, em particular a jornalistas, académicos e formações de esquerda.

As purgas, de uma amplitude sem precedentes, foram em particular desencadeadas para “limpar” as instituições que, segundo o Governo turco, estavam infiltradas pelo movimento gulenista, agora oficialmente designado “Organização Terrorista Fethullah Gülen” (FETÖ).

Desde Julho de 2016 foram detidas cerca de 56.000 pessoas e mais de 140.000 demitidas ou suspensas das suas funções.

Notícias ao Minuto