Os ex-presidentes brasileiros Lula da Silva e Dilma Rousseff foram denunciados no âmbito da operação anti-corrupção Lava Jato pelo Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot, pelo crime de formação de organização criminosa, que desviou milhões dos cofres públicos, particularmente da Petrobrás.

De acordo com Janot, o mentor do esquema de fraudes e chefe da organização criminosa foi Lula da Silva, que continuou a comandar os desvios mesmo depois de ter sido sucedido na presidência da República por Dilma Rousseff em 2011.

Além de Lula e Dilma, o PGR denunciou igualmente pelos mesmos crimes os ex-ministros António Palocci (Finanças e Casa Civil), preso no âmbito de outro processo, Guido Mantega (Finanças), Edinho Silva (Comunicação Social) e Paulo Bernardo (Planeamento e Comunicações). Também foram denunciados na mesma acção a senadora Gleisi Hoffmann, actual presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), e o antigo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que está igualmente preso.

De acordo com a denúncia entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Janot, os desvios atribuídos à organização terão começado em 2003, primeiro ano de governo de Lula da Silva, e continuado até Maio de 2016, quando Dilma Rousseff, que lhe sucedeu, foi afastada do cargo pelo Congresso.

Ao todo, ainda de acordo com o PGR, o grupo terá desviado um total equivalente, pela cotação desta quarta-feira, a aproximadamente 405 milhões de euros. Para o PGR, o grupo, sempre sob o comando de Lula, criou dentro do Partido dos Trabalhadores, a que cuja direcção nacional todos os denunciados pertencem, uma organização criminosa tendente a desviar, para eles e para o partido, avultadas verbas públicas.

Lula, que atribuiu a nova denúncia a uma suposta perseguição política para o impedir de concorrer às presidenciais de 2018, cujas sondagens lidera, já foi condenado num outro processo a nove anos e meio de prisão e enfrenta ainda outras acções no âmbito da Lava Jato na justiça do estado do Paraná, na justiça federal de Brasília e no próprio STF, e aguarda em liberdade recurso da condenação.

CM