Famílias somalis recusam-se a sepultar os corpos de 10 familiares, dos quais três crianças, até que o governo assuma a responsabilidade pela sua morte numa incursão apoiada pelos EUA, revelaram as autoridades no domingo.
As vítimas morreram quando o exército da Somália, apoiado por tropas dos EUA, realizou uma operação na aldeia de Bariire, a cerca de 50 km da capital na sexta-feira.
Ali Nur, vice-governador da região de Lower Shabelle, declarou à Reuters que os corpos ficariam armazenados até que o governo assuma a responsabilidade – uma medida particularmente chocante numa cultura muçulmana que sepulta os seus mortos rapidamente.
“Nós recusamos a sepultá-los porque o governo negou e ainda não admitiu directamente que matou civis”, disse Nur à Reuters, referindo que as autoridades transformaram um camião de transporte de lagosta refrigerado numa cabine mortuária para guardar os corpos.
O comando de África dos Estados Unidos disse na sexta-feira que as forças dos EUA estiveram envolvidas na operação de Bariire e que as investigações sobre baixas civis estavam em curso sem adiantar mais informação.
Inicialmente, as autoridades disseram que as tropas tinham assassinado oito militantes do al-Shabab numa operação nocturna. Mais tarde, o exército somali disse que as suas forças, apoiadas por tropas dos EUA, dispararam por engano contra 10 civis, incluindo três crianças.
O governo somali convocou uma reunião de emergência para debater o assunto e dar início às investigações. Enquanto isso, os familiares das vítimas vão conservar os corpos no camião refrigerado.
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