Venezuelanos detidos na esteira dos protestos contra o presidente Nicolás Maduro e processados em tribunais militares foram alvo de tortura e forçados a comer massa com fezes, denunciou a ONG Foro Penal.
Desde o início da nova onda de manifestações da oposição contra o governo chavista, em 1º de Abril, mais de duas mil pessoas foram presas por sua participação nas marchas, além de transeuntes que não estavam vinculados às mobilizações e supostos saqueadores, segundo cálculos da organização. O número de mortos ligados aos protestos já chega a 39.
De acordo com o jornal “El Nacional”, o coordenador do Foro Penal no estado de Carabobo, Luis Betancourt, confirmou ter recebido denúncias de tortura e de maus tratos de pessoas detidas supostamente por terem participado de saques durante os protestos.
“A maioria dos detidos é espancada durante a prisão e a transferência para o local de detenção temporária, antes de ser levada perante o juiz“, explicou Betancourt. De um grupo de 40 presos por supostos saques, 15 se queixaram de terem sido forçados a comer massa com fezes.
Ativistas de direitos humanos vêm denunciando detenções arbitrárias no governo Maduro, actuação policial e militar contrária aos direitos internacionais, tortura e o uso de tribunais militares para processar dezenas de civis. Segundo o “El Nacional”, os casos de tortura se intensificaram nos últimos dias.
Apesar da forte repressão, a oposição continua desafiando Maduro nas ruas. Na segunda-feira, milhares de opositores bloquearam avenidas e estradas, o que provocou confrontos com as forças de segurança que deixaram dois mortos e ao menos 12 feridos, elevando o número de óbitos para 39. Ao menos 79 pessoas foram detidas, incluindo 20 em Carabobo e seis em Nova Esparta, segundo o Foro Penal.
O jovem José Alviarez, de 18 anos, foi morto com um tiro no tórax durante uma manifestação no estado de Táchira. Segundo a imprensa, após a morte do jovem, manifestantes atearam fogo à delegacia de polícia local.
Sob o nome de “grande plantão contra a ditadura”, os protestos provocaram confrontos em Caracas e nos estados de Carabobo, Nova Esparta, Zulia, Aragua, Mérida e Táchira. Durante a jornada, os opositores bloquearam a importante estrada Francisco Fajardo, no leste de Caracas, enquanto no oeste as forças de segurança utilizaram bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes.
“Não há liberdade, nos reprimem, não há comida e quando há é extremamente cara, seguirei nas ruas até que ocorra uma mudança“, disse o docente Miguel Martínez.
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