O “Hospital de Olhos Dr. Agarwal’s” procedeu nesta quarta-feira em Maputo a primeira cirurgia de retina do olho, uma técnica de ponta que vem solucionar várias das patologias de fórum oftalmológico que até então não era possível realizar no País.

A cirurgia, a primeira que se realiza País, foi feita pelo Dr. Nilesh Kanjani, médico-cirurgião de retina de nacionalidade indiana, tendo sido a primeira paciente a ser assistida, Carmelina Mamade, de 48 anos. Também o engenheiro Martins, antigo Presidente do Conselho de Administração da Empresa Águas da Região de Maputo, foi ontem submetido a essa cirurgia.

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Doravante, quatro a cinco cirurgias serão efectuadas por dia e cada uma poderá durar duas ou três horas, segundo deu a conhecer a directora clínica daquela unidade sanitária privada.

A retina, segundo disse a directora clínica daquele hospital, Dra. Amélia Buque, numa conferência de Imprensa que antecedeu a operação, é a membrana mais interna do globo ocular que tem por função transformar o estímulo luminoso em impulsos nervosos.

De acordo com a explicação dada por aquela médica, a retina é formada por 10 camadas das quais se destacam o epitélio pigmentar da retina, a camada mais externa e a camada sensorial de fotorreceptores.

Por isso, segundo a fonte, aquela cirurgia de retina é bastante complexa.

Dada a sua localização, usa-se para a operação um oftalmoscópio, um processo denominado fundo de olho que é muito importante na prevenção de várias doenças. Por outro lado, o fundo do olho serve para detectar doenças que tenham relação com veias, artérias e nervos, como, por exemplo, a hipertensão arterial, a diabetes Mellitus.

A mesma cirurgia está indicada em situações de descolamento da retina, hemorragias da retina e do vítreo, buraco molecular e membranas epiretinianas, para além de remoção de corpos estranhos e lente intraoculares luxadas.

No âmbito das melhorias da saúde ocular em Moçambique, aquela entidade hospitalar compromete-se a disponibilizar conhecimentos técnicos e científicos, garantindo qualidade assistencial, disponibilização de recursos humanos qualificados e tecnologia de ponta.

Operação de difícil acesso

Em termos de custos, na verdade não é acessível, dado que esta operação custa na vizinha África pouco mais de 100 mil randes, enquanto em Moçambique, segundo Amélia Buque, vai custar cerca de 4 mil dólares norte-americanos.

O colectivo de médicos deu a conhecer também que habitualmente a retina deve ser feita o mais breve possível.

Neste momento, encontram-se no País dois cirurgiões indianos, mas, de acordo com a directora clínica, Moçambique vai obter dentro de um mês um cirurgião permanente de retina.

Em termos de alcance tendo em conta o poder dos moçambicanos, o hospital diz possuir uma parte de responsabilidade social.

“Dentro de seis meses ou um ano, podemos oferecer cirurgias a indivíduos mais jovens para poderem beneficiar da visão”, disse a directora clínica do “Hospital de Olhos Dr. Agarwal’s”, Amélia Buque, dando a conhecer que “100 a 120 doentes de cataratas são assistidos por ano”, ao abrigo de um memorando assinado com o Ministério da Saúde.
“Fazemos rastreio oftalmológico gratuito em crianças nas escolas moçambicanas, de modo a termos lentes ou óculos”, acrescentou Amélia Buque.

O hospital conta com infra-estruturas numa área de 650 metros quadrados no bairro do Sommershield II, com facilidades como bloco operatório, exames complementares de diagnósticos altamente qualificados, para além de gabinetes de consulta e óptica com uma vasta gama de lentes, o que torna a única solução para um cuidado completo de olho.

A ascensão de complicações relacionadas à retina, tende a subir em doença como Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial.

Os serviços abrangentes para o cuidado do olho incorporam cirurgia da catarata em alta tecnologia, Glaucoma, correcção dos erros de refracção, estraismo e oculoplastia, oftalmologia pediátrica, desordens corneanas, síndrome do olho seco, pterígio e transplante corneano.

O “Hospital de Olhos” estabeleceu-se em Moçambique em Dezembro de 2012, mas a sua existência no mundo conta desde 1957, especificamente na Índia e em África, mormente no Malawi, Zâmbia, Zimbabwe, Botswana, Swazilândia e África do Sul.

Os próximos passos serão a expansão dos serviços para as cidades de Nampula e Beira, nas regiões norte e centro do País.

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