Dados apurados pelo nosso Jornal dão conta que de Janeiro do presente ano a esta parte, foram apreendidos mais de 800 quilogramas de droga diversa, uma das quais ácido acetilantranílico e cannabis sativa, vulgo soruma, entre outras.

Informações constantes no relatório trimestral do Gabinete Provincial de Prevenção e Combate à Droga, em Cabo Delgado, a que o “Notícias” teve acesso, referem que em conexão com o tráfego e comercialização das referidas drogas, dois cidadãos da Guine Conacri e quatro nacionais estão a contas com a Justiça.

O relatório assinado pelo director do gabinete provincial, Tomé Ali Madebe, indica que no início do presente ano, foram apreendidos na fronteira com a República Unida da Tanzânia, concretamente em Namoto, distrito de Palma, 603.733 quilogramas de N-Ácido Acetilantranílico, matéria-prima usada para o fabrico de drogas pesadas, com destaque para a Metaquelona.

Os dois cidadãos da Guiné Conacri que introduziram a mercadoria em solo pátrio proveniente do Quénia, conforme o relatório, estão sob custódia judicial em Pemba. Para além destes, ainda de acordo com a fonte, outros dois cidadãos, desta feita, nacionais também encontram-se presos por terem sido encontrados, na cidade de Pemba, na posse de 15,2 quilogramas de soruma.

Ainda no período em análise, desta feita no distrito de Namuno, foram apreendidos 10 quilogramas de soruma envolvendo dois cidadãos que, neste momento, estão a responder em juízo enquanto outros elementos do grupo continuam fugitivos. O relatório sublinha que o gabinete provincial vai continuar a desencadear acções tendentes à prevenção e combate à droga com vista à redução da sua procura, oferta, consumo e dos males sociais que a mesma provoca.

O relatório conclui que a cannabis sativa continua a ser a droga de maior circulação e a mais consumida em Cabo Delgado. De acordo com o relatório, com a recente apreensão de N-Ácido Acetilantranílico, vem confirmar o novo “modus operandi” dos narcotraficantes, que optam por importar ou introduzir precursores para a produção de drogas ilícitas dentro do país.

Como medidas de prevenção, segundo a mesma fonte, o Gabinete de Prevenção e Combate à Droga de Cabo Delgado, realizou palestras em número de 153 tendo abrangido 11.460 beneficiários dos quais destacam-se alunos, reclusos, transportadores rodoviários, atletas, jovens e populares nos distritos de Pemba, Balama, Montepuez, Chiúre, Mocímboa da Praia, Ancuabe, Muidumbe, Macomia, Namuno e Mueda.

De acordo ainda com o documento, foram distribuídos no período em análise, 15.347 materiais de informação e propaganda anti-droga a 188 escolas de diversos níveis e subsistemas de ensino, 29 instituições do Estado, trabalho coordenado pelas rádios comunitárias de Chiúre, Montepuez, Balama, Macomia Muidumbe, Mueda e Nangade.

A projecção de filmes com imagens que mostram os males que as drogas provocam em diferentes aglomerados populacionais e centros sociais foram outras formas encontradas pelo gabinete para desencorajar a produção, venda e consumo ilícito de drogas.

Para além destas acções, o gabinete provincial diz ter desintoxicado nove cidadãos considerados toxicodependentes nos distritos de Mueda e Namuno, uma acção coordenada com o sector da Saúde, reabilitados nove cidadãos com antecedentes alcoólicos em Mueda e Namuno e reinseridos três ex-toxicodependentes em Mueda.

O tráfico e consumo de drogas, de acordo com o gabinete dirigido por Tomé Madebe, incentiva a criminalidade, violência em geral, fenómenos que, nos últimos dias, têm ganho níveis preocupantes, sobretudo no seio da camada jovem o que resulta, em certas ocasiões, em doenças crónicas, dependência ao consumo de substâncias ilícitas, acidentes mortais, entre outros males numa sociedade que se pretende sadia.

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