Internacional ONU precisa de reformas profundas para sobreviver, alerta Annalena Baerbock

ONU precisa de reformas profundas para sobreviver, alerta Annalena Baerbock


Na sua última conferência de imprensa como presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, Annalena Baerbock fez um apelo urgente à necessidade de reforma na organização, sublinhando que sem mudanças significativas, a ONU pode não sobreviver à actual era marcada pela fragmentação. 

A diplomata alemã deixará o cargo na próxima semana, passando a liderança a Khalilur Rahmando, do Bangladesh.

Durante o encontro, Baerbock questionou sobre a capacidade da Assembleia-Geral em sustentar mais crises diplomáticas, instando à reflexão sobre a prontidão para se reformar. “Sem dúvida, a ONU não sobreviverá nestes tempos fragmentados e difíceis se não houver reformas”, disse, enfatizando a importância de reduzir a burocracia e aumentar a eficácia numa realidade cada vez mais digitalizada.

A reforma da organização foi uma das prioridades do seu mandato, onde implementou alterações nas regras financeiras para enfrentar a crise actual, além de reduzir a burocracia e encurtar prazos de intervenção para fomentar debates mais ágeis. Contudo, durante o seu ano como presidente, testemunhou um aumento de guerras e conflitos, bem como um agravamento do impasse no Conselho de Segurança.

Baerbock também deu início ao processo de eleição do novo secretário-geral da ONU, que sucederá António Guterres em 2027, e destacou a importância da escolha que será feita. “A escolha que a ONU fizer para o décimo secretário-geral enviará uma mensagem sobre se esta organização realmente representa as pessoas que deveria servir, metade das quais são mulheres e meninas”, afirmou. A antiga presidente defendeu a ideia de que a próxima liderança da ONU deve ser ocupada por uma mulher, sublinhando que a organização nunca teve uma liderança feminina em 80 anos de história.

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A diplomata expressou ainda a sua gratidão a António Guterres pela colaboração no desafio de reformar e fortalecer a organização. “Quando as divisões se aprofundam e os nossos desafios partilhados se tornam mais complexos, o valor do multilateralismo torna-se ainda mais importante”, ressaltou Baerbock.

Questionada sobre a reforma que ainda não foi concluída, a presidente cessante reiterou a necessidade de um organograma único para eliminar cargos seniores redundantes. Ao concluir a sua intervenção, agradeceu aos jornalistas pela colaboração e anunciou que, após quase 20 anos de carreira política, incluindo o cargo de ministra das Relações Exteriores da Alemanha, iniciará um novo capítulo como docente na Universidade Columbia, em Nova Iorque.

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