Ceuta, enclave espanhol no norte de África, foi palco de intensas manifestações, com centenas de residentes a expressarem a sua veemente oposição à construção de centros de detenção para migrantes.
O descontentamento dos moradores centrou-se particularmente na localização de um novo centro de acolhimento, projectado para ser erguido nas proximidades de uma creche e de áreas residenciais.
Os protestos tiveram início junto a uma nova creche em preparação, que se insere na estratégia do Governo para acolher migrantes e facilitar a sua eventual expulsão do território. Os manifestantes, que bloquearam o trânsito em várias artérias, reclamaram contra a decisão do Estado em estabelecer um centro de detenção junto a zonas habitacionais, considerando-a uma ameaça à segurança da comunidade.
Durante a manifestação, foram lidas declarações colectivas que expuseram a preocupação dos manifestantes sobre a instalação de um centro de acolhimento de migrantes na área portuária, onde se concentram diversas famílias. Outro protesto, realizado à tarde, envolveu trabalhadores e habitantes numa esplanada adjacente à referida creche, levando à paralisação das actividades laborais por parte dos afectados, até que a decisão do Governo possa ser revista.
Além das questões referentes à localização dos centros, as famílias manifestaram o receio crescente de insegurança, consequência directa da situação instaurada. A situação em Ceuta complicou-se notavelmente com a entrada, entre os dias 30 e 31 de Julho, de mais de 70.000 pessoas de forma ilegal. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou esta ocorrência como uma violação da integridade territorial espanhola, atribuindo a responsabilidade a redes de tráfico de seres humanos.
Até à data, a maior parte das pessoas que atravessaram a fronteira tem deixado o enclave, contudo, mais de 5.000 migrantes permanecem em Ceuta, muitos deles vivendo nas ruas. Sánchez descreveu o incidente como um ataque a Espanha e à Europa, considerando que a desinformação nas redes sociais contribuiu para acirrar a situação, mencionando igualmente a intervenção de agentes externos como Israel e Rússia.
Os cidadãos de Ceuta continuam a fazer ouvir a sua voz, completando um ciclo de protestos que reflete a inquietação e a resistência da comunidade face a um cenário que consideram insustentável.















