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UNITA acusa polícia de atentado contra dirigente e cerco à sede no Uíge


A UNITA, o maior partido da oposição em Angola, acusou a Polícia Nacional de ter atentado contra a vida de um dirigente e de cercar a sede do partido na província do Uíge, num incidente que resultou em pelo menos dois feridos.

O partido denunciou a situação neste sábado, prometendo não voltar a apelar à serenidade da população.

Os confrontos ocorreram no dia em que a UNITA comemorava o 92.º aniversário do seu presidente fundador, Jonas Malheiro Savimbi, e durante a IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, o braço juvenil da UNITA.

Nelito Ekuikui, secretário-geral da JURA, relatou à Lusa que foi alvo de um ataque, mas teve a sorte de não estar no veículo no momento. “Fui, sim senhora, de forma muito clara. A sorte é que eu não estive no carro e fui socorrido por populares”, afirmou. Ekuikui descreveu como a polícia cercou as ruas e a sede local da UNITA, e, por volta das 12:00, começou a disparar tiros e granadas de gás lacrimogéneo. “Temos, neste momento, dois feridos, uma pessoa foi baleada no pé”, disse, garantindo que foram utilizadas “balas reais”.

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O dirigente responsabilizou exclusivamente as forças de segurança pela situação, afirmando que a população não reagiu de forma violenta. O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, classificou o incidente como um “atentado contra a vida” do dirigente, através de um vídeo publicado na sua página de Facebook.

As imagens divulgadas mostram a polícia de choque a disparar granadas de gás lacrimogéneo contra os populares que fugiam do local, enquanto uma viatura, presumivelmente a que transportava Nelito Ekuikui, se afastava. Ekuikui lamentou a “intolerância política” e criticou a actuação policial, que classificou como uma estratégia de um “partido-Estado” que utiliza as forças de ordem para fins políticos.

Ele acrescentou que a UNITA não voltará a apelar à contenção, como fez nas eleições de 2022. “Já não vai voltar a acontecer o que aconteceu em 2022, em que apelámos o povo à serenidade. Ninguém vai apelar o povo à serenidade. O MPLA vai exactamente encontrar o que procura”, afirmou, sublinhando que “ninguém tem sangue de barata”.

Nas eleições gerais de 2022, o MPLA, que está no poder desde a independência em 1975, venceu com 51,17% dos votos.

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