O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a intenção de “reduzir substancialmente” a dimensão dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.
Esta decisão acontece na véspera do início de mais uma edição dos exercícios, que se realizam desde há mais de 70 anos e que este ano estão designados como Ulchi Freedom Shield.
Trump justifica a sua posição afirmando que tais exercícios, que envolverão cerca de 18.000 soldados sul-coreanos e uma significativa parte dos 28.500 soldados norte-americanos estacionados na península, são “dispendiosos” e transmitem um “sinal totalmente inadequado e hostil” para a Coreia do Norte. O líder norte-americano expressou a sua insatisfação com o envolvimento histórico dos EUA em manobras militares na região, destacando a boa relação que mantém com o líder norte-coreano, Kim Jong-Un.
Na sua mensagem nas redes sociais, Trump afirmou: “Tendo em conta que já é demasiado tarde para os cancelar, dei instruções ao Secretário da Defesa, Pete Hegseth, para reduzir substancialmente os exercícios militares conjuntos.” O Presidente salientou ainda que Seul não se juntou a Washington na “desnuclearização” do Irão.
A Casa Presidencial da Coreia do Sul manifestou que está a analisar a publicação de Trump e espera que a relação amistosa entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte permita um diálogo significativo, impulsionando as negociações com vista à paz e estabilidade na Península Coreana.
No entanto, a decisão de Trump suscita reacções diversas. O líder da oposição sul-coreana, Jang Dong-hyeok, considerou-a um “desastre diplomático” provocado pelo Governo do Presidente Lee Jae-myeung. Para Cheong Seong-chang, vice-presidente do Sejong Institute, a possibilidade de Trump suspender completamente os exercícios militares ou reduzir o número de tropas norte-americanas sem consultar a Coreia do Sul é uma preocupação.
A segurança nacional da Coreia do Sul é uma questão premente, e diversas vozes no país sugerem uma diminuição gradual da dependência em relação a Washington, além do reforço das capacidades de dissuasão nuclear de Seul. Contudo, especialistas alertam que a redução da dimensão dos exercícios poderá comprometer a responsabilidade da Coreia do Sul pela sua própria defesa e fragilizar a dissuasão face a potenciais conflitos na Ásia.
Lim Eul-chul, especialista em assuntos da Coreia do Norte, considera que o regime de Pyongyang não verá esta redução como significativa, a menos que os exercícios conjuntos sejam completamente cancelados. “Há poucas razões para considerar isto significativo”, afirmou.
















