A Renamo, antigo partido principal da oposição em Moçambique, acusou o Governo de não estar a cumprir as cláusulas do acordo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração (DDR), assinado em 2019 e que pôs fim à violência armada na região centro do país.
A queixa foi expressa durante um encontro com militantes na província de Cabo Delgado, onde o chefe nacional de mobilização da Renamo, Geraldo de Carvalho, criticou severamente a situação dos ex-guerrilheiros.
Geraldo de Carvalho sublinhou que cerca de 25 mil desmobilizados preencheram fichas delineando os seus projectos de reintegração na sociedade, no entanto, até à data, nenhum destes projectos foi concretizado. “Cada desmobilizado fez a sua parte, mas a verdade é que não há um único ex-guerrilheiro que tenha sido apoiado na sua reintegração,” afirmou.
O responsável da Renamo destacou ainda a grave situação de pobreza extrema em que se encontram os desmobilizados, afirmando que muitos deles não têm recursos para assegurar a educação dos seus filhos ou para adquirir medicamentos. Afirmou que a marginalização dos ex-guerrilheiros impede que estes desempenhem papéis significativos nas forças de segurança do país. “É pertinente perguntar aos senhores Filipe Nyusi e Joaquim Chissano se estão cientes de que a Polícia deveria integrar graduados competentes vindos da Renamo,” acrescentou.
O acordo de cessação das hostilidades militares foi assinado na Serra da Gorongosa, em Sofala, no dia 1 de Agosto de 2019, numa tentativa de trazer paz e estabilidade à região. A Renamo continua a chamar a atenção para a necessidade de se cumprir os compromissos acordados, alertando para as consequências da inacção governamental sobre os cidadãos que participaram do processo de desmobilização.
















