A companhia nacional de aviação, Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), anunciou a criação de novas rotas aéreas entre as regiões central e norte do país, com a cidade de Beira, na província de Sofala, como ponto central.
Num comunicado emitido, a LAM revelou que irá posicionar uma aeronave na cidade de Beira, dedicada à operação de voos regionais. Esta estratégia permitirá voos directos ligando Beira às cidades de Tete, Quelimane, Nampula, Nacala e Pemba, ampliando as opções de deslocação e facilitando a mobilidade de passageiros, assim como o transporte de mercadorias.
A iniciativa insere-se no processo de reestruturação da companhia, que visa reforçar a conectividade aérea nacional e posicionar Beira como um hub estratégico na rede interna da transportadora. A operação procura colmatar lacunas regionais e aumentar a capacidade da companhia aérea para atender à crescente demanda de passageiros, alinhando-se a uma estratégia mais abrangente de fortalecimento das capacidades operacionais.
O primeiro voo interprovincial, a partir do Aeroporto Internacional da Beira, está agendado para esta quarta-feira. Para assinalar a ocasião, o Director-Geral da LAM, Dane Kondić, realizará uma conferência de imprensa onde serão apresentados os novos serviços e os próximos passos para a expansão da rede de voos domésticos em Moçambique.
Esta expansão ocorre num contexto de reestruturação abrangente sob a liderança da Comissão de Gestão da LAM, que visa optimizar a eficiência das rotas, reduzir custos operacionais e restaurar a confiança pública na transportadora nacional, após anos de constrangimentos financeiros e logísticos.
Nos últimos dez anos, a LAM enfrentou uma crise financeira acentuada por práticas de corrupção entre os seus colaboradores durante a aquisição de serviços, levando a dívidas com fornecedores superiores a 230 milhões de dólares devido a desvios de fundos.
Em 2024, a gestão da LAM foi confiada à empresa sul-africana Fly Modern Ark (FMA), contratada pelo governo para tornar a companhia rentável e evitar a falência. Contudo, as medidas tomadas não lograram resolver os problemas.
No âmbito do plano de reestruturação, o governo autorizou três empresas estatais a adquirirem participações na transportadora nacional. A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que opera a barragem no rio Zambeze, na província de Tete, adquiriu 25,2% do capital social; enquanto a empresa de caminhos-de-ferro e portos (CFM) e a companhia de seguros EMOSE adquiriram cada uma 15,4% das ações da LAM, com um investimento de 22 milhões de dólares cada.















