A Unidade de Intervenção Rápida (UIR), a polícia de choque moçambicana, protagonizou um incidente grave na noite de sábado, ao disparar e matar um cidadão desarmado dentro de um bar na região de Xinavane, no distrito de Manhiça, a cerca de 100 quilómetros ao norte de Maputo.
Imagens que rapidamente se espalharam nas redes sociais mostram um grupo de agentes policiais a cercar o estabelecimento. Após alguns deles terem entrado no bar, ouvem-se disparos, gerando um clima de tensão entre os presentes. O vídeo revela o momento em que um dos oficiais executa a vítima a sangue-frio, desferindo múltiplos tiros.
De acordo com relatos, a vítima era um dos criminosos mais procurados pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). As autoridades ainda não se pronunciaram sobre o caso, mas diversas figuras públicas manifestaram a sua condenação face ao ato. A activista dos direitos humanos, Fátima Mimbire, salientou que, dado o número de agentes envolvidos na operação, a vítima poderia simplesmente ter sido contida e levada à esquadra, independentemente do seu histórico ou da ameaça que pudesse representar.
“Tudo indica que o Estado já não existe. Não importa se o homem era um criminoso violento. Não havia razões que justificassem esse tipo de intervenção. E olhem para o risco a que expuseram todos os presentes. Foi desnecessário. Honestamente, não consigo compreender esse ato”, afirmou Mimbire na sua página de Facebook.
A activista critica o uso desproporcional da força, que, segundo ela, nunca resulta em responsabilidade. “Vão inventar uma teoria e isso será o fim. Não importa se era um criminoso. Existem formas de lidar com criminosos, mesmo os perigosos. Não é por acaso que Moçambique aboliu a pena de morte. A execução sumária de uma pessoa desarmada que não representava ameaça é um crime que deve ser severamente punido”, escreveu.
Por sua vez, Venancio Mondlane, líder da Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), a principal força da oposição no país, descreveu o acto como uma “execução sumária inadmissível”. “Moçambique não tem pena de morte. Nenhum agente do Estado tem o direito de matar alguém que já foi neutralizado, mesmo que se trate de um criminoso conhecido. Exigimos uma investigação urgente, independente e transparente, que inclua a identificação, detenção e responsabilização exemplar de todos os envolvidos”, concluiu Mondlane nas suas redes sociais.
















