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Mais de 34 mil alunos transitam de classe em Montepuez sem saber ler


O Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) de Montepuez, na província de Cabo Delgado, revelou dados profundamente preocupantes sobre a qualidade do ensino primário na região. 

Durante o ano lectivo de 2025, um total de 34.039 estudantes transitou para o ano letivo seguinte sem saber ler, expondo uma grave lacuna no aproveitamento qualitativo das escolas locais.

Os números foram apresentados por Zacarias Quiumbe, chefe da Repartição de Ensino Geral (REG), na VI Reunião Provincial de Planificação. Citado pela Rádio Zumbo, o responsável explicou que a incapacidade de dominar a leitura elementar afecta todos os anos do ensino primário, registando uma severidade muito mais expressiva nas fases iniciais do percurso escolar.

A análise detalhada por nível de escolaridade demonstra o impacto cumulativo do problema:

  • 1.ª Classe: Dos 19.750 alunos que avançaram, 9.841 revelam não possuir habilidades de leitura.
  • 2.ª Classe: Entre os 15.778 aprovados, 8.148 enfrentam a mesma barreira.
  • 3.ª Classe: Registaram-se 7.185 casos de alunos sem competências básicas num universo de 12.759 que transitaram.
  • 4.ª Classe: O défice arrastou-se para 4.665 estudantes de um total de 10.368 que progrediram.
  • 5.ª Classe: Num grupo de 8.128 promovidos, 2.956 passaram sem as ferramentas literárias adequadas.
  • 6.ª Classe: Dos 5.908 finalistas do ciclo que transitaram, 1.243 mantêm sérias dificuldades de leitura.
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Para enquadrar a dimensão do desafio pedagógico, Quiumbe informou que o distrito contabilizou 89.261 matrículas totais no ensino primário em 2025, distribuídas entre o primeiro ciclo (59.685) e o segundo ciclo (29.576).

Em termos estatísticos globais, isto significa que aproximadamente 38% de todos os alunos promovidos em Montepuez não aprenderam a ler adequadamente, contrastando com uma taxa de reprovação que se fixou nos 18,6%.

Face a este cenário alarmante, as autoridades e especialistas do sector apontam para a necessidade imperativa de reavaliar os métodos pedagógicos vigentes. A prioridade imediata deverá passar pela intervenção precoce nas classes de base, assegurando que o domínio da leitura e da escrita seja efectivamente alcançado antes de se autorizar a progressão dos menores no Sistema Nacional de Educação.

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