Um casal do estado de Michigan, nos Estados Unidos, enfrenta acusações formais de homicídio, tortura e abuso infantil que podem resultar em pena de prisão perpétua.
Damien O’Brien, de 40 anos, e Casper O’Brien, de 41 anos, foram detidos e aguardam julgamento no condado de Genesee, após serem responsabilizados pela morte do próprio filho de sete anos, que pesava 116 quilos.
A criança, que partilhava o nome com o progenitor, media apenas 1,28 metros de altura. O relatório do instituto médico-legal apontou que o menor faleceu devido a uma cardiomiopatia dilatada — uma patologia caracterizada pelo enfraquecimento e dilatação do músculo cardíaco, o que compromete gravemente a capacidade de o coração bombear sangue de forma eficiente. O documento pericial confirmou que o quadro de obesidade mórbida severa foi um factor determinante para o agravamento da doença e consequente desfecho fatal.
O óbito ocorreu em Novembro do ano passado, na residência da família, quando o menino entrou em paragem respiratória. Apesar de os serviços de emergência médica terem sido accionados, a equipa de socorro já encontrou a criança sem vida.
O procurador do condado de Genesee, David S. Leyton, classificou o episódio como um caso extremo de “negligência deliberada e intencional”. Em declarações ao jornal The New York Times, Leyton sublinhou que a conduta dos pais negligenciou profundamente o bem-estar e as necessidades médicas básicas da criança, resultando ainda no aparecimento de escaras graves e diversas erupções cutâneas pelo corpo antes da sua morte.
Por outro lado, a defesa dos arguidos apela à prudência. Elias Fanous, advogado do pai, relembrou o princípio da presunção de inocência até que a culpa seja provada em tribunal. De igual modo, Tracey Guisbert, advogada da mãe, descreveu o caso como uma “situação trágica” e observou que processos desta natureza tendem a desenvolver-se de forma lenta na justiça.














