A Polícia Federal do Brasil iniciou um inquérito para investigar possíveis irregularidades na produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, em relação ao uso de recursos públicos.
A confirmação veio do chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma conferência de imprensa.
A investigação surge após suspeitas de que cinco deputados do Partido Liberal (PL), alinhados a Bolsonaro, teriam destinado 4,6 milhões de reais, aproximadamente 777 mil euros, em emendas parlamentares a entidades envolvidas na produção do filme. As emendas parlamentares são verbas do Orçamento federal que permitem a deputados e senadores direccionar recursos para projectos em suas bases eleitorais.
O juiz Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a investigação na última sexta-feira, levando a Polícia Federal a tomar as medidas necessárias para avançar com as apurações. “A nossa equipa já deu os encaminhamentos necessários para prosseguir nas investigações”, declarou Rodrigues.
A Controladoria-Geral da União também iniciou no mês passado uma auditoria sigilosa para averiguar possíveis desvios de finalidade desses recursos públicos. A produção de “Dark Horse” tornou-se um tema controverso, especialmente para o senador Flávio Bolsonaro, que enfrenta escrutínio após o portal The Intercept Brasil relatar que o banqueiro Daniel Vorcaro teria contribuído financeiramente para o filme.
Áudios divulgados indicam que Flávio Bolsonaro negociou um total de 134 milhões de reais (cerca de 22,65 milhões de euros) com Vorcaro, que chegou a efectuar um pagamento de 64 milhões de reais (10,9 milhões de euros). Uma das conversas entre eles ocorreu um dia antes da prisão de Vorcaro, que foi detido por fraude financeira relacionada ao Banco Master.
A imprensa brasileira tem destacado actividades suspeitas ligadas a empresas e indivíduos envolvidos na produção do filme, além das contradições nas declarações de Flávio e outros políticos sobre o financiamento da cinebiografia. Recentemente, uma ONG da empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go UP e pelo filme, foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo por suposta fraude na execução de um contrato milionário.
As autoridades suspeitam que a ONG, Instituto Conhecer Brasil, não tenha realizado a instalação de 5 mil pontos de internet gratuita na cidade, como prometido.















