A Ministra dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Maria Manuela Lucas, defende que a criação de emprego é fundamental para evitar que cidadãos moçambicanos procurem melhores condições de vida na África do Sul, onde têm sido alvo de actos xenófobos por parte de cidadãos sul-africanos.
Nos últimos meses, diversas manifestações anti-imigrantes têm sido organizadas por nacionais sul-africanos contra africanos, incluindo moçambicanos. Os actos xenófobos, que têm ocorrido de forma recorrente, têm como alvo principal os africanos negros.
A discriminação contra estrangeiros tem também desencadeado saques, deslocações forçadas, assédios e motins mortais em assentamentos informais. Segundo a ministra, o desemprego é a principal causa que leva aos atos xenófobos contra cidadãos africanos na África do Sul.
“Se analisarmos a percentagem da população africana a viver na África do Sul, ela é apenas de 4%. Quando observamos a população detida por crimes, a nossa população africana não chega a mais de 6%. Isto significa que o problema não está relacionado com a presença de africanos na África do Sul. A questão é de índole económica e social; trata-se do desemprego”, afirmou.
No mesmo contexto, a ministra anunciou que Moçambique, África do Sul e Eswatini pretendem estabelecer uma zona económica especial na sua fronteira comum, com o objectivo de promover “o desenvolvimento económico capaz de criar emprego”.
“A solução para a crise não reside em medidas policiais ou militares, mas sim no desenvolvimento económico dos países, de modo a proporcionar emprego. Do lado sul-africano, o projecto encontra-se num estado avançado, havendo já consenso para a sua extensão ao lado moçambicano e ao de Eswatini”, acrescentou.
“A zona económica especial tripartida deverá impulsionar o desenvolvimento regional, considerando que muitos moçambicanos se deslocam à África do Sul em busca de emprego”, concluiu.
Dados oficiais indicam que mais de 300.000 moçambicanos residem na África do Sul. O Ministério do Trabalho de Moçambique já enviou uma delegação àquele país para acompanhar de perto a situação dos trabalhadores moçambicanos.














