Uma conferência envolvendo empresários moçambicanos e indianos teve lugar em Maputo, com o objectivo de explorar oportunidades de negócios e criar parcerias estratégicas entre os dois países.
Durante a sessão de abertura, o Secretário de Estado do Comércio, António do Rosário Grispos, fez um apelo para que empresas indianas considerem investimentos na extracção e no processamento dos recursos naturais de Moçambique. “Dispomos de pedras preciosas e um vasto leque de minerais. Desejamos ver investimentos robustos que não se limitem à extracção, mas que também visem o processamento, permitindo a criação de empregos para a nossa população”, sublinhou.
Grispos expressou ainda o desejo de que os empresários indianos compartilhem conhecimentos nas áreas de digitalização, tecnologia e transformação de recursos naturais. “Queremos evitar que a exploração deixe apenas buracos. Solicitamos a vossa expertise na transformação dos minerais que possuímos e a experiência da Índia na digitalização”, afirmou.
O presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Álvaro Massingue, reiterou o compromisso do sector privado em colaborar de perto com o Governo e as empresas de ambos os países. “Estamos prontos para facilitar missões empresariais, identificar projectos viáveis em todas as províncias, promover parcerias industriais e tecnológicas, e desbloquear constrangimentos por meio do diálogo público-privado”.
O Alto-Comissário da República da Índia, Robert Shetkintong, manifestou satisfação com o desempenho da balança comercial moçambicana, reafirmando o compromisso de alargar as trocas comerciais entre os dois países. “Estou contente que Moçambique esteja a apresentar uma boa balança comercial. Temos a certeza de que, trabalhando juntos, conseguiremos expandir as nossas exportações”, afirmou.
A relação económica entre Moçambique e a Índia tem mostrado um crescimento sólido, embora ainda não tenha atingido todo o seu potencial. Em 2024, o comércio bilateral ultrapassou os 800 milhões de dólares, consolidando a Índia como um dos principais parceiros económicos de Moçambique. Este volume é impulsionado, principalmente, pela exportação de gás natural, carvão, algodão, castanha de caju e outros produtos agrícolas, assim como pela importação de bens de capital, viaturas e equipamentos farmacêuticos.
No decorrer do evento, foram identificadas diversas oportunidades nos setores de agronegócios, turismo, energia, indústria e infraestruturas, considerados áreas com grande potencial para promover parcerias e desenvolver projetos conjuntos.
















