A Primeira-Ministra de Moçambique, Benvinda Levi, informou à Assembleia da República que o governo considera a possibilidade de ajustar o preço dos combustíveis devido à sua tendência ascendente nos mercados internacionais.
Cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam por rotas ligadas ao Estreito de Ormuz, o que torna o país vulnerável aos impactos da guerra no Médio Oriente. O Estreito é vital, responsável por quase 20% do fluxo diário de vendas de petróleo a nível global, e actualmente enfrenta bloqueios que impedem a passagem de navios transportando gás e petróleo.
Durante uma sessão de perguntas pelos deputados, a Primeira-Ministra sublinhou que a situação internacional actual é marcada pela incerteza relativa ao desfecho do conflito no Médio Oriente. “Esta situação provocou uma tendência de alta nos preços dos combustíveis nos mercados internacionais, da qual Moçambique não está imune. Sendo um importador líquido de combustíveis, e considerando o contexto internacional, o país enfrentará um ajustamento gradual nos preços destes produtos ao nível nacional, o que se torna inevitável”, afirmou.
Nas últimas semanas, Moçambique tem enfrentado dificuldades no fornecimento de combustíveis, com várias bombas a encerrarem e filas longas nas estações de serviço, além de limitações na compra de gasolina e gasóleo, bem como uma redução no fornecimento de transportes.
O governo reconheceu que a crise de combustíveis está relacionada com a escassez de moeda estrangeira, especialmente dólares americanos, o que implica que “o combustível não chega aos postos devido aos problemas de tesouraria enfrentados pelas empresas que os operam”. Normalmente, os distribuidores de combustíveis utilizam garantias bancárias, denominadas em dólares, para pagar pelas encomendas feitas nos portos, mas alguns já não conseguiram obter estas garantias junto dos bancos comerciais.
Para mitigar os impactos negativos do aumento dos preços dos combustíveis na vida dos cidadãos e na economia, o governo implementará um conjunto de medidas multisectoriais. “Reiteramos o apelo a todos para que continuem a acompanhar a evolução da situação com serenidade e evitem propagar mensagens que possam gerar pânico na sociedade”, acrescentou.
O Ministro da Economia, Basílio Muhate, declarou que o governo irá subsidiar o transporte público para atenuar os efeitos da crise de combustíveis, caracterizada por escassez e limitações nas importações. “O Governo pretende utilizar mecanismos de estabilização financeira para evitar grandes aumentos em larga escala para as famílias.
Esta abordagem assegura que a população mais vulnerável mantenha acesso ao transporte e a produtos essenciais, sem sofrer grandes impactos imediatos da crise de abastecimento”, concluiu.















