Cerca de 500 mineiros estão a ocupar desde quarta-feira uma mina de carvão na província de Ancara, na Turquia, em protesto contra um controverso projecto de privatização.
A informação foi confirmada na sexta-feira por Talih Kocabiyik, representante do sindicato dos mineiros Maden-Is, em declarações à agência francesa AFP.
Os mineiros, que se encontram a uma profundidade aproximada de 300 metros, expressam preocupações significativas em relação ao seu futuro, à segurança dos empregos e às condições de trabalho, destacando que a privatização da mina e da central térmica de Çayirhan poderia agravar ainda mais a sua situação. Kocabiyik alertou que, caso os planos de privatização não sejam abandonados, os grevistas poderão iniciar uma greve de fome como forma de protesto.
A ocupação da mina resultou no bloqueio de acesso ao local, evidenciando a determinação dos trabalhadores em defender os seus direitos. Kocabiyik sublinhou que o aumento da pressão por produção leva a uma crescente negligência nas questões de saúde e segurança, um problema que a Turquia já enfrentou em tragédias passadas. O país ainda se lembra do desastre na mina de Soma, em 2014, onde 301 mineiros morreram devido a uma explosão seguida de um incêndio que provocou o colapso de um poço. A mina de Soma foi privatizada em 2005, e desde então, vários acidentes mortais ocorreram em minas de todo o território turco.
O clima de tensão em torno da privatização da mina de Çayirhan atraiu a atenção da oposição política. O líder do principal partido da oposição turca, o CHP (Partido Republicano do Povo), Ozgur Ozel, juntamente com o presidente do CHP de Ancara, Mansur Yavas, visitaram os mineiros na quinta-feira, manifestando o seu apoio. Ozel afirmou que “após a privatização, há despedimentos, pressão sobre a produção e preocupações com a segurança no trabalho”, reafirmando a oposição do partido a este processo.














