Internacional Famílias no Sudão recorrem a ervas para sobreviver à crise alimentar

Famílias no Sudão recorrem a ervas para sobreviver à crise alimentar

As crianças sudanesas estão a sobreviver em condições extremas, enfrentando não apenas o impacto devastador das bombas e balas, mas também o crescente risco de fome e doenças. 

A situação é alarmante, com taxas de desnutrição das crianças com menos de cinco anos a figurarem entre as mais elevadas do mundo. A advertência foi feita por Mohamed Abdiladif, director interino da Save the Children para o Sudão, num comunicado divulgado esta semana.

Abdiladif sublinhou que o aumento da desnutrição aguda é um sinal preocupante de que os bebés são os mais afectados por este conflito. O responsável apelou à comunidade internacional para que “tome medidas políticas urgentes e estabeleça um cessar-fogo imediato, assim como progressos significativos em direcção a um acordo de paz duradouro”.

A taxa global de desnutrição aguda (GAM), que mede o estado nutricional de uma população, é descrita pela ONG como “extremamente” elevada, levando a um “risco elevado” de fome pela primeira vez desde o início da guerra. Em regiões como o campo de deslocados de Zamzam, a fome já foi oficialmente declarada, afectando cerca de 500.000 pessoas.

Estudos recentes revelam que a crise de desnutrição atingiu uma fracção ainda maior da população, com taxas de subnutrição a ultrapassarem os 30% entre as crianças com menos de cinco anos. Desde o início do conflito em Abril de 2023, mais de 12 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar os seus lares, tornando o Sudão a maior crise de deslocamento interno do mundo.

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O impacto do conflito é devastador: mais de cinco milhões de crianças foram afectadas, e mais de 20.171 pessoas, incluindo crianças, morreram desde o início dos combates. Uma especialista em nutrição da Save the Children em Darfur relatou que, nos centros de saúde da cidade, tem assistido a um aumento alarmante de casos de crianças com sinais evidentes de desnutrição grave e complicações médicas, incluindo febre alta, vómitos intratáveis e letargia.

Um caso particular chocou a equipe de saúde: uma mãe de quatro filhos, de apenas 23 anos, levou o seu filho de 17 meses a um centro de saúde, onde foi constatado que a criança pesava apenas 5,2 kg, um peso típico de um bebé de dois meses.

A guerra no Sudão iniciou em Abril de 2023, provocada por tensões entre o exército e os paramilitares, em relação à sua inclusão no governo pós-golpe de Estado de 2021, que desmantelou os esforços de democratização após a queda do antigo presidente Omar al-Bashir em 2019.

Desde então, os conflitos resultaram em aproximadamente 20 mil mortos, 33 mil feridos, 7,9 milhões de deslocados internos e 2,1 milhões de refugiados em outros países, de acordo com dados das Nações Unidas.

A comunidade internacional é, assim, chamada a agir com urgência face a esta crise humanitária sem precedentes, que coloca em risco o futuro das crianças sudanesas e da estabilidade do país.

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