Os tribunais dos distritos de Mangochi e Mwanza, no Malawi, condenaram três indivíduos a 15 meses de prisão efectiva por administrarem vacinas falsas que alegadamente eliminariam o HIV/SIDA.
Entre os condenados, duas são mulheres julgadas pelo tribunal de Mangochi, acusadas de venderem uma injecção falsificada de gentamicina, rotulada como a vacina Gamora, que supostamente curaria a SIDA. O terceiro condenado é um homem de 32 anos, cuja sentença foi proferida pelo tribunal de Mwanza por divulgar e administrado comprimidos de origem desconhecida, também rotulados como Gamora.
Esta situação gerou grande preocupação no governo, que convocou a imprensa para alertar que, além dos três condenados, há outros indivíduos mal-intencionados a promover produtos falsificados nas redes sociais, alegando que curam o HIV/SIDA.
Beatrice Matanje, directora executiva da Comissão Nacional de Combate ao HIV/SIDA, alertou que esta prática está a expor mais pessoas a medicamentos falsos, colocando as suas vidas em risco. Matanje explicou que os fraudadores estão a adulterar rótulos de medicamentos conhecidos, fazendo-os passar por fármacos que supostamente curam o HIV/SIDA.
Os produtos falsificados são vendidos a preços exorbitantes, variando entre 90,000 kwachas (cerca de 3,000 meticais) e 260,000 kwachas (cerca de 8,500 meticais) por dose, a pessoas inocentes e com o estado serológico positivo.
Matanje salientou que a preocupação é ainda maior devido ao facto de os medicamentos não serem devidamente conservados, aumentando o risco de serem nocivos ao organismo dos consumidores. Além disso, os fraudadores enganam alguns pacientes em tratamento antirretroviral, persuadindo-os a abandonar o tratamento legítimo e a tomar o falso medicamento Gamora, alegadamente para uma cura definitiva.
Pela gravidade do crime, Mphatso Kawaye, director-geral da Autoridade Reguladora de Farmácias e Medicamentos do Malawi, considerou as penas aplicadas aos três condenados como brandas. Segundo Kawaye, os indivíduos mereciam penas de dez anos de prisão, acrescidas a uma multa de 10 milhões de kwachas (cerca de 350,000 meticais), conforme estipulado pela lei de falsificação de medicamentos vigente no país.
Ellina Mwasinga, coordenadora nacional da Associação para Jovens Vivendo com HIV/SIDA, deplorou a atitude dos fraudadores e apelou aos seropositivos para buscarem aconselhamento junto das autoridades competentes sempre que forem abordados por oportunistas.
















