Internacional Bote com nove corpos encontrado na costa brasileira

Bote com nove corpos encontrado na costa brasileira

Receba atualizações de trabalhos do MMO Emprego

Siga o nosso canal do Whatsapp para receber atualizações diárias anúncios de vagas.

Clique aqui para seguir

Um grupo de pescadores brasileiros, ao largo da cidade de Bragança, no estado do Pará, encontrou um bote à deriva e aparentemente abandonado. Dentro da embarcação, em avançado estado de decomposição, estavam nove corpos.

Após o alerta dos pescadores, a polícia resgatou o bote e deu início a uma investigação internacional com o apoio da Interpol. Rapidamente, constatou-se que as vítimas seriam migrantes de origem africana, que possivelmente tinham partido da costa da Mauritânia com destino às ilhas Canárias (Espanha), na tentativa de entrar na Europa.

Acredita-se que, em alto-mar, os ocupantes tenham perdido o rumo e passado várias semanas à deriva, resultando em morte por fome e desidratação. As correntes marítimas levaram a embarcação até à costa do Brasil, a mais de quatro mil quilómetros do seu ponto de partida.

Este caso é o mais recente de uma série de “botes fantasma” que têm surgido na região. Essas pequenas embarcações precárias, utilizadas por migrantes na tentativa de alcançar a Europa, muitas vezes não conseguem avisar ninguém sobre a sua partida, resultando em descobertas tardias e trágicas, como este episódio.

Os investigadores brasileiros encontraram no bote documentos de identificação da Mauritânia e do Mali, bem como casacos impermeáveis e telemóveis, sugerindo que o número de ocupantes poderia ser muito maior do que os nove corpos encontrados.

O superintendente da Polícia Federal de Pará, José Roberto Peres, liderando a investigação, expressou a crença de que os últimos sobreviventes, sem forças, possivelmente foram lançados ao mar conforme iam falecendo.

Edwin Viales, responsável do Projeto Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações, explicou que esse fenómeno dos “botes desaparecidos” tem seguido um padrão, com migrantes muitas vezes ficando sem mantimentos e morrendo de inanição e desidratação durante travessias oceânicas não preparadas para longas distâncias.