A missão militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SAMIM), que tem desempenhado um papel crucial no apoio a Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, está prestes a deixar o país devido a constrangimentos financeiros.
A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, anunciou esta decisão após uma reunião entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o seu homólogo zambiano, Hakainde Hichilema, líder do órgão sobre Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança da SADC.
De acordo com Verónica Macamo, a SAMIM enfrenta dificuldades financeiras, e Moçambique encontra-se numa posição delicada para assumir os custos da missão.
Os países envolvidos na SADC não conseguiram reunir os fundos necessários para manter a operação. Esta notícia surge após a aprovação, em agosto de 2023, da prorrogação da missão da SAMIM por mais 12 meses, até julho de 2024.
A decisão de retirar a SAMIM reflete uma análise da SADC sobre a estabilidade em Moçambique, comparada com a escalada de violência na República Democrática do Congo. Esta região enfrenta uma situação muito mais volátil, com mais de 120 grupos armados em conflito, lutando pelo controlo de recursos naturais, como ouro, e perpetrando massacres em massa.
Apesar dos desafios financeiros, a SADC expressou confiança de que, com o apoio contínuo de outros países, incluindo a disponibilização de equipamento letal, Moçambique será capaz de enfrentar eficazmente a ameaça terrorista em Cabo Delgado.
A retirada da SAMIM marca um momento crítico na luta contra o terrorismo na região e coloca um novo desafio para as autoridades moçambicanas lidarem com a segurança em Cabo Delgado.