Internacional Sul-africanos contestam sentença do tribunal

Sul-africanos contestam sentença do tribunal

O partido governante da África do Sul protestou no exterior de um tribunal de primeira instância no final de semana, depois deste ter ordenado a libertação de um imigrante polaco condenado pelo assassinato de um herói Anti-Apartheid em 1993, que quase provocou um conflito civil.

A morte a tiro de Chris Hani levou o país à beira de uma guerra racial enquanto as negociações para acabar com o Apartheid entravam na sua fase final.

O Tribunal Constitucional de Joanesburgo, decretou no início da semana passada, a liberdade condicional de Janusz Walus, 69 anos, que cumpriu quase três décadas de prisão por assassinato.

No sábado, o ANC e o Partido Comunista Sul-Africano (SACP) – ambos com ligações a Hani – lideraram uma reunião fora do tribunal para protestar contra a decisão.

Alguns manifestantes exibiam t-shirts com o rosto de Hani, cantando canções de protesto Anti-Apartheid.

“Obviamente, estou indignado”, disse à AFP o manifestante Lenin Mpesi.

“Não vejo porque é que aquele homem, Walus, precisa de ser libertado”.

“Como Hani morreu, ainda não foi revelado. Não sabemos quem lhe pagou (Walus) e qual foi a razão por detrás disso”.

O membro sénior do ANC, Panyaza Lesufi, disse que estavam planeadas mais manifestações contra a libertação de Walus, provavelmente a acontecer esta semana.

“Mesmo quando sai daquela prisão… deve saber que os sul-africanos não estão contentes”, disse aos meios de comunicação locais fora do tribunal. “Temos o direito de lhe enviar a mensagem de que assassinou o nosso herói. Ele é um assassino, e deve saber disso”.

O Presidente do Supremo Tribunal da África do Sul, Raymond Zondo, ordenou que o ministro dos serviços correccionais do país colocasse Walus “em liberdade condicional nos termos e condições que ele considere apropriados”.

O atirador de direita matou Hani, um líder extremamente popular do SACP e feroz opositor do regime do apartheid, um ano antes das primeiras eleições multirraciais na África do Sul.

Hani era também o chefe de gabinete de Umkhonto we Sizwe, a ala armada do ANC.