Os Primeiros-Ministros da França, Elisabeth Borne, e da Argélia, Aymen Benabderrahmane, encerraram, na segunda-feira, em Argel, um fórum empresarial que teve por objectivo dar uma “nova dinâmica” económica e pôr termo a um ano de tensões diplomáticas.
O fórum, segundo Borne em declarações à AFP, de-monstra a “vontade de materializar” a aliança definida em finais de Agosto entre os Presidentes francês, Emmanuel Macron, e argelino, Abdelmadjid Tebboune, e baseia-se em três pilares: económico, para desenvolver o comércio e promover o emprego; mobilidade e vistos, com foco nas áreas da educação, ciência, artes e economia; e, por fim, apoiar a juventude.
Segundo Benabderrahmane, Argel pretende criar uma “dinâmica duradoura” nos intercâmbios com outros países, tal como o agora desenvolvido com França, baseados na “complementaridade e interesse mútuo”.
O objectivo, prosseguiu o Primeiro-Ministro argelino, passa por diversificar a economia, reduzir a dependência das exportações de hidrocarbonetos e atrair investimento estrangeiro, sobretudo nos sectores farmacêutico, energias renováveis e agricultura, “oferecendo perspectivas positivas para as empresas francesas” Na abertura do fórum, a Primeira-Ministra gaulesa lembrou que a França é o principal investidor na Argélia fora do sector dos hidrocarbonetos e assegurou que as empresas francesas estão “preparadas para participar na diversificação” económica pretendida por Argel, bem como apoiar os jovens “das duas margens do Mediterrâneo que querem agir e que estão cheios de ideias”.
Embora a questão energética não estivesse na agenda do Governo francês, Borne indicou ser intenção de Paris “continuar a avançar” com a Argélia para aumentar as capacidades de produção de gás.
Um dia antes, domingo, os dois Chefes de Executivo presidiram à 5ª Sessão do Comité Intergovernamental de Alto Nível Franco-Argelino – o primeiro desde 2017 – com o objectivo de abrir uma etapa de cooperação bilateral mais “densa” e em que foram assinados 12 acordos e memorandos sobre diversos temas relacionados com os domínios do trabalho, cooperação industrial, turismo e artesanato e ensino superior.
Borne chegou domingo à capital argelina acompanhada por uma delegação de 15 ministros e representantes de grandes empresas francesas.
As relações entre a Argélia e a antiga potência colonial passaram por um período de tensão no Outono de 2021 devido às polémicas declarações do Presidente francês sobre a natureza do sistema argelino.
Argel chamou o seu embaixador a 2 de Outubro de 2021, em reacção a propostas reveladas pelo jornal Le Monde, segundo as quais Macron afirmava que a Argélia, depois da independência, foi construída sobre uma “história oficial reescrita” mantida pelo “sistema político-militar”, questionando também a existência de uma nação argelina antes da colonização francesa, a partir de 1830.















