Internacional Somália: Antigo dirigente do al-Shabab nomeado ministro para Religião

Somália: Antigo dirigente do al-Shabab nomeado ministro para Religião

A Somália nomeou o ex-vice-líder e porta-voz do grupo islâmico al-Shabab como ministro da Religião, anunciou, esta quarta-feira, o Primeiro-Ministro, Hamza Abdi Barre, citado pela Efe.

O anúncio marca uma forte reviravolta na vida de Muktar Robow, que passou os últimos quatro anos em prisão domiciliar após uma disputa com o ex-Presidente Mohamed Abdullahi Mohamed, mais conhecido como “Farmajo”.

Robow, 53 anos, desertou publicamente dos militantes ligados à al-Qaeda, em Agosto de 2017, depois do Governo dos Estados Unidos ter oferecido uma recompensa de 5 milhões de dólares pela sua captura. “Após consultas que duraram mais de 30 dias, estou muito feliz em apresentar homens e mulheres somalis que seleccionei com base na sua formação académica, experiência e justiça”, disse Barre.

Robow foi preso no final de 2018, dias antes de concorrer às eleições regionais. O Governo de “Farmajo” acusou-o de “organizar uma milícia” em Baidoa, capital da região Sudoeste, e tentar “minar a estabilidade”.

A sua prisão desencadeou protestos esporádicos com manifestantes a queimar retratos de “Farmajo”, a quem acusaram de se intrometer nos assuntos regionais.

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A escolha de Robow para ministro ocorre semanas depois do Presidente recém-eleito, Hassan Sheikh Mohamud, dar a entender a disposição do seu Governo em negociar com a al-Shabab, dizendo que isso só acontecerá quando for a hora certa.

O al-Shabab trava uma insurreição sangrenta contra o frágil Governo central da Somália há 15 anos e continua a ser uma força poderosa apesar de uma operação da União Africana contra o grupo.

Os seus combatentes foram expulsos da capital da Somália, Mogadíscio, em 2011, mas continuam a atacar alvos militares, governamentais e civis.

Inicialmente, esperava-se que Barre nomeasse um gabinete dentro de 30 dias após a sua escolha a 25 de Junho, mas disse que os atrasos se ficaram a dever ao processo eleitoral demorado do país, que culminou em Maio com a escolha de Mohamud como Presidente.

Estas nomeações incluem um vice-Primeiro-Ministro, 25 ministros, 24 ministros de Estado e vice-ministros, numa equipa de 75, cujo programa será agora votado no Parlamento. O novo Governo enfrenta uma série de desafios, incluindo uma fome iminente e a insurgência islâmica.

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