O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, insinuou que aquele gigante do Oriente pode ter criado o coronavírus de propósito para desencadear uma guerra biológica e ganhar com isso. Sem citar nominalmente a China, Bolsonaro lembrou que aquele país asiático foi o que mais cresceu no mundo durante a pandemia.
“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou se nasceu por um ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu o seu PIB?… Não vou dizer para vocês”, afirmou o presidente brasileiro em discurso numa cerimónia oficial no Palácio do Planalto, sede da presidência, em Brasília.
A afirmação vai totalmente contra os esforços dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, e do novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos França, que têm feito apelos literalmente angustiados à China para que aquele país aumente o envio de insumos que permitam a produção de mais vacinas contra o coronavírus.
Indiferente aos 411 mil brasileiros que já perderam a vida para o coronavírus, Bolsonaro e os filhos, que lideram os setores mais radicais do governo, têm desencadeado sucessivos ataques à China, principal parceiro comercial do Brasil.
Quase quatro meses após o início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, apenas 32 milhões de pessoas já foram vacinadas com a primeira dose, numa população de 210 milhões de habitantes, exactamente por falta de insumos para fabricar novas vacinas. Esses insumos são produzidos na China, que tem uma parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, para produzir a Coronavac, mas a China tem reduzido drasticamente o ritmo de envio das substâncias necessárias após cada ataque dos Bolsonaro, e em ao menos 16 dos 27 estados brasileiros milhares de pessoas não conseguiram tomar a segunda dose no tempo devido porque o imunizante acabou.
















