Um total de 14 crianças da província de Manica, no centro de Moçambique, traficadas entre 2017 e 2018 para o Zimbabué, vão ser repatriadas, anunciou a procuradoria provincial.

Constatamos que as 14 crianças que se deslocaram ao Zimbabué foram levadas com indivíduos que as usavam para o trabalho infantil”, declarou Manuel Machaze, procurador responsável pela secção de família e menores em Manica.

O responsável falava à margem de uma reunião de coordenação transfronteiriça entre Moçambique e Zimbabué, que pretendia, entre outros pontos, desenvolver ações para identificar os mandantes dos crimes de tráfico de menores e garantir a sua responsabilização.

O procurador não avançou dados sobre as condições e forma como as crianças foram recuperadas, nem a data do seu repatriamento.

O Serviço Nacional de Migração (Senami) assume dificuldades no controlo das fronteiras da província, mas entretanto nega haver fragilidades.

“Fragilidades não existem porque nas nossas fronteiras moçambicanas, em particular aqui em Manica, o controlo tem sido serrado”, disse Manuel Mapendera, porta-voz do Senami em Manica, referindo que “é difícil o controlo na íntegra porque a linha de fronteira é maior, é muito grande”.

Segundo os últimos dados, avançados em 2015, as autoridades de Manica resgatavam anualmente uma média de 20 crianças nas rotas de tráfico para a África do Sul, onde eram “vendidas para o trabalho infantil”.